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Sobre trechos do livro 'Capitalismo Natural': pensamento LEAN e a lógica empresarial de prestar serviços em vez de vender produtos




O pensamento enxuto [LEAN] faz com que o valor definido pelo consumidor flua continuamente com o objectivo de produzir desperdício zero. Juntas, essas práticas são os fundamentos de uma nova e poderosa lógica empresarial: em vez de vender ao consumir um produto que você espera que ele use afim de obter o serviço de que realmente precisa, ofereça-lhe o próprio serviço, à taxa e do modo que ele desejar, preste-o da maneira mais eficiente possível (…) .

Esta ideia não é inteiramente nova. Faz muito tempo que 10 milhões de prédios, na França metropolitana, são aquecidos pelos chauffagistas; em 1995, 160 empresas do ramo empregavam 28 mil profissionais. Em vez de vender energia na forma de petróleo, gás ou electricidade – que não é o que consumidor quer, e sim o calor –, essas firmas são contratadas para conservar o espaço do cliente a certa temperatura, durante certo número de horas e a certo custo. A taxa normalmente é um pouco menor que a dos métodos tradicionais de calefação, como os fornos de querosene; a maneira como isso é feito é problema do prestador de serviço, que pode transformar o seu forno em aquecedor a gás, tornar o seu sistema de calefação mais eficiente ou até isolar o seu prédio. Ele é pago pelo resultado – o calor – não pelo modo como o obtém nem pelos insumos de que se serve. Quanto menos material e energia usar – quanto mais eficiente for – mais dinheiro ganhará. A concorrência entre os chauffagistas fez com que caísse o preço de mercado desse “serviço de calor”.

(…)
A Dow Chemical Company faz um negócio extensivo alugando solventes orgânicos, muitos dos quais são tóxicos ou inflamáveis ou as duas coisas. O consumidor que os compra fica com a responsabilidade de manuseá-los e de se desfazer deles com segurança. Contudo,  por meio do aluguer dos produtos da Dow e sua concorrente, a SafetyKleen, os especialistas daquela indústria química fornecem o solvente, auxiliam a sua aplicação, trabalham com o cliente para recuperá-lo e o levam embora. O cliente não é dono dele e, portanto, não arca com nenhuma responsabilidade; o solvente pertence ao fornecedor do “serviço de dissolução”, mas está sempre à disposição da empresa.

Fonte: Capitalismo Natural - Paul Hawken, L. Hunter Lovins, Amory B. Lovins (Livro)


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  • Sobre o livro:
Não se tratando de um livro cujo tema se esgota exclusivamente no universo da engenharia química, 'Capitalismo Natura'l apregoa a “Próxima Revolução Industrial”, algo que certamente é do interesse dos engenheiros químicos. Este livro inovador revela como as empresas globais de hoje podem ser ambientalmente responsáveis e altamente lucrativas.

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