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Sobre o início da indústria química em Portugal - Parte 2





Barragem de Sta. Luzia (Portugal), inaugurada em 1942. Fonte


"...os grandes desenvolvimentos da indústria química de base [portuguesa] foram impulsionados e fortemente ligados aos projetos de produção de energia, empreendimentos sem os quais não seria possível lançar o arranque da industrialização do País a seguir à segunda guerra mundial, e assegurar posteriormente o seu desenvolvimento:

  • os aproveitamentos hidroelétricos nos anos 40 e 50, que criaram a oportunidade, por aproveitamente de energia sobrante, de lançar algumas unidades electroquímicas, num país com escassos recursos naturais, que passava a dispor de uma matéria prima importante - a energia - para:

          1. a produção de hidrogénio e subsequente síntese do amoníaco, potenciando assim o setor adubeiro já existente;

          2. a eletrólise do cloreto de sódio, produzindo o cloro e possibilitando a fabricação de diversos álcalis, produtos que eram requeridos por indústrias já existentes e com potencialidades de expansão, como a pasta de celulose e papel, e o vidro;

           3. o fabrico de carboneto de cálcio, vector carboquímico importante para a síntese directa da cinamida cálcica, a incorporar no setor adubeiro, ou indireta, através da sua conversão em acetileno, para o dabrico de cloreto de vinilo e do primeiro material plástico que se produziu em Portugal - o PVC;



 Refinaria de Cabo Ruivo (SACOR), inaugurada em 1940. Fonte

  • as expansões sucessivas do sector da refinação de petróleos nos anos 50 e 60 e, posteriormente, em plena fase da crise petrolífera dos anos 70, que possibilitaram lançar sucessivos empreendimentos petroquímicos, junto dos diferentes centros refinadores que se foram criando:
          1. primeiramente, para converter o sector de gás de síntese que tinha sido iniciado por via electrolítica, na nova via petroquímica, que se apresentava mais competitivo e com menos restrições de abastecimento;

          2. e posteriormente, para iniciar os ciclos básicos das linhas petroquímicas com base em olefinas e em aromáticos, tendo-se ainda implementado alguns dos seus derivados, como as poliolefinas, a linha de nitração do benzeno até aos isocianatos e dos derivados de orto-xileno, bem como o aproveitamento industrial de alguns subprodutos dessas linhas, como a fabricação do negro de fumo e do MTBE."



*     *     *

O trecho citado foi extraído da seguinte publicação:

"As Indústrias Químicas em Portugal
Perspectivas para o Século XXI
"

de Fernando Ramôa Ribeiro
e Clemente Pedro Nunes

Edição/reimpressão: 2007
Páginas: 174
Editor: Escolar Editora

1 comentários:

grabbers disse...

Muito interessante o artigo. Acho o fato de não depender das energias fosseis tão necessário quanto ineludível. A industria precisa investir muito para concorrer internacionalmente. As energias limpas são um dos caminhos. Outro é acabar com o desperdício energético e de matérias-primas. As vezes, é muito melhor não consumir e gastar com jeito os recursos. Para isso a tecnologia dos sistemas de visão, da analise de dados, os frame grabber; dos computadores e dos sistemas de gestão industrial são muito importantes. Uma gestão mais inteligente dos recursos serve para melhorar as contas da empresa, ser muito mais ecológicos, ter uma imagem mais verde e limpa, e no fundo ser mais rentável.

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