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Sobre a nova associação industrial de Setúbal, e a visão do director da Volkswagen Autoeuropa



"Um grupo de 14 das maiores empresas da região de Setúbal juntou-se para criar a Associação da Indústria da Península de Setúbal, que nasce formalmente esta segunda-feira. O presidente da associação, António Melo Pires [AMP], director da fábrica Volkswagen Autoeuropa, diz que uma das metas é partilhar conhecimentos, apesar da dispersão das áreas de actividade das empresas fundadoras, entre os quais estão a Portucel (papel), a Secil (cimento), a Casa Ermelinda Freitas (vinho) a Siderurgia Nacional e os estaleiros da Lisnave.

Os métodos de formação profissional alemães, usados na Autoeuropa, podem ser passados para outras empresas, defende Melo Pires, que se queixa da dificuldade em encontrar engenheiros (em parte, porque muitos emigram) e que gostaria de ver uma melhor articulação entre universidades e empresas. 

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Que tipo de conhecimento há para difundir entre indústrias tão díspares?
[AMP]: Formação profissional. A formação dual que usamos na Autoeuropa pode ser usada noutro tipo de indústrias. É o modelo de formação alemão, que é a formação teórica, em sala, e a formação prática, nas indústrias. É possível difundir isso. Também é possível formar técnicos transversais. A electrónica ou a manutenção são áreas de que praticamente todas as indústrias precisam, os métodos são praticamente idênticos em todas as empresas.

Querem também trabalhar com as instituições de ensino. Há lacunas da região que gostariam de ver colmatadas?
[AMP]: Esta região já tem um nível de escolaridade superior às médias nacionais. Está bem equipada em termos de recursos humanos. Podemos dizer que não é suficiente comparando com algumas regiões da Europa. O que se pretende é uma política de integração. Existem instituições de ensino que desenvolvem conhecimento, mas esse conhecimento não chega à prática, à fase de comercialização do produto. O objectivo é integrar as empresas com as instituições criadoras de conhecimento, de forma a completar a cadeia, desde o nascimento da ideia até ao nascimento do produto.

Quais são os problemas que se colocam nessa articulação entre instituições de ensino e empresas?
[AMP]: A culpa não está só de um dos lados. Há instituições de ensino que funcionam muito bem nesse aspecto. Há empresas que funcionam bem e outras menos bem. Por exemplo, as empresas podem empregar doutorados para trabalhos específicos de desenvolvimento ou para a resolução de problemas, que é uma coisa incipiente na sociedade portuguesa. Podem desafiar instituições de ensino a desenvolverem produtos específicos e colaborarem para que sejam produtos de mercado. E também as universidades e politécnicos podem desafiar as empresas com novas ideias."

Entrevista completa: Público

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