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Sobre a dimensão económica e social da indústria química mundial no ano de 2017, e sua distribuição geográfica




A análise global mostra que a indústria química, sua cadeia de abastecimento e demais dependências, fez uma contribuição estimada US $ 5,7 biliões (milhões de milhão) para o PIB mundial em 2017, e justificou 120 milhões de empregos. A sua contribuição económica foi portanto, equivalente a 7 por cento do o PIB mundial naquele ano, enquanto a contribuição para o mercado de trabalho equivaleu à da população total do México.

Deste total, a indústria química propriamente dita adicionou diretamente US$ 1,1 biliões para PIB global em 2017, e empregou diretamente 15 milhões de pessoas. (...) Isso faz com que seja o quinto maior setor industrial do mundo em termos de contribuição para o PIB mundial (representando 8,3% do valor económico total da indústria global). A comparação dos impactos diretos e totais sobre o emprego na indústria química implica que, para cada pessoa diretamente empregada nesta indústria, sete postos de emprego adicionais são necessários. Em termos de PIB, para cada $ 1 gerado pela indústria química, mais US$ 4,20 são gerados noutros setores económicos. 

Impacto da indústria química nos diferentes contentes, em 2017.


(...) Dividindo a análise em cinco regiões globais, a indústria química da Ásia-Pacífico fez a maior 
contribuição anual para o PIB e empregos em 2017. Esta gerou 45% do valor económico anual total da indústria, e 69 por cento de todos os trabalhos suportados. A Europa surge com a segunda contribuição mais importante globalmente, seguida pela América do Norte.



(...) A indústria química global investiu cerca de US$ 51 mil milhões em R&D em 2017, e esse gasto apoiou 1,7 milhão de empregos e US$ 92 mil milhões em atividade económica no mesmo ano. 


Países com maior investimento em R&D na área da química, em 2017.



O que está incluído no conceito de 'indústria química'?

Usamos a definição delineada na Divisão 20 da NACE Rev. 2 do Eurostat; ou seja, "Produção de químicos e produtos químicos". Isso inclui os seguintes subsetores:
  • Produção de produtos químicos básicos, fertilizantes e compostos azotados, plásticos e borracha sintética em formas primárias;
  • Produção de pesticidas e outros produtos agroquímicos;
  • Produção de tintas, vernizes e revestimentos similares, tintas de impressão e mástiques;
  • Produção de sabão, detergentes, limpeza, polimento, perfumes e produtos de toilette;
  • Produção de outros produtos químicos, incluindo explosivos e produtos pirotécnicos, colas, óleos essenciais e produtos químicos produtos não classificados em outra parte (por exemplo, material químico fotográfico, preparações de diagnóstico, etc);
  • Produção de fibras artificiais.

Fonte: The Global Chemical Industry: Catalyzing Growth and Addressing Our World’s Sustainability Challenges - March 2019 (Relatório)

Revista semanal de imprensa (BEQ.2019.7): reformas no óleo de palma, o hype da cannabis, indústria da moda poluidora, e nova fábrica de cortiça nos EUA



A Indonésia está a desencadear uma reforma da sua indústria de óleo de palma, marcada pela corrupção, que causou perdas milionárias, prejudicou a imagem do país e levou à detenção de vários governadores provinciais e municipais, segundo a Efe.


Polêmica como poucas, a indústria da maconha cresce mundo afora. Num ritmo muitas vezes alucinante. No ano passado, o setor registrou uma alta de faturamento de 28,8%, chegando a US$ 12,9 bilhões. (...) Apenas nos Estados Unidos, a indústria da cannabis emprega cerca de 200 mil trabalhadores.


A indústria da moda responde por algo entre 8% e 10% das emissões globais de gases-estufa, mais que a aviação e o transporte marítimo juntos. É o segundo setor da economia que mais consome água e produz cerca de 20% das águas residuais do mundo. 


A líder mundial do setor corticeiro inaugura, a 2 de abril, uma nova fábrica nos Estados Unidos, tradicionalmente o seu principal mercado mas que foi destronado pela França no ano passado, num investimento superior a oito milhões de euros. 

Sobre a interligação dos recursos naturais da Venezuela com o financiamento da sua economia e complexa situação política do país




A Venezuela é um Membro Fundador da OPEP, Organização dos Países Exportadores de Petróleo. As receitas petrolíferas da Venezuela representam cerca de 98% das receitas de exportação. Além do petróleo, os recursos naturais do país incluem gás natural, minério de ferro, ouro, bauxita, diamantes e outros minerais.

A Venezuela é produtora de petróleo desde 1914, quando o primeiro poço de petróleo comercial, Zumaque I, foi perfurado no campo de Mene Grande, na costa leste do Lago Maracaibo.



Fonte: OPEP


Os recursos naturais como garantias de endividamento da economia venezuelana 

CHINA-VENEZUELA: Para Pequim, os abundantes recursos naturais e o fornecimento de energia da Venezuela poderiam ajudar a China a ter acesso de longo prazo a esses ativos nacionais vitais.

Em 2014, o principal banco de política da China, o China Development Bank (CDB), forneceu ao governo venezuelano mais de US $ 30 mil milhões em novos empréstimos garantidos por petróleo. Eles apoiaram principalmente investimentos nos setores de energia e mineração, incluindo unidades de energia, refinarias de petróleo e oleodutos. 

(...) Pequim usou acordos de empréstimos-por-petróleo, apostando que a capacidade de produção da estatal petrolífera da Venezuela (PDVSA) era uma garantia suficiente para o pagamento da dívida.

Este foi um erro de cálculo. A China sobrestimou a capacidade da Venezuela de sustentar a produção de petróleo e, consequentemente, a atividade económica, mas também sua capacidade de gerir com sucesso vários projetos comerciais espalhados por amplos setores da economia. A China pagou, assim, um alto custo quando a Venezuela se atrasou na sua garantia de petróleo e não conseguiu financiar projetos de transporte em 2014 devido ao agravamento da crise económica do país e do colapso histórico do setor de petróleo.

(...) No seu auge, entre 2010 e 2013, a Venezuela representou, em média, 64% das novas linhas de crédito aprovadas da China para a América Latina. Mas, de 2014 a 2017, a Venezuela representou 18% do total de novas linhas de crédito da China para a região.


RÚSSIA-VENEZUELA: (...) As empresas estatais da Rússia surgiram como principais investidores num momento em que o governo de Maduro achava cada vez mais difícil conseguir novos créditos de qualquer lugar, incluindo a China. A Rosneft e a Gazprom, gigantes da energia russa, forneceram financiamento de curto prazo para a empresa petrolífera estatal da Venezuela (PDVSA).

Em troca, a PDVSA forneceu 49,9% de seu total de ações de sua subsidiária nos EUA, Citgo, como garantia à Rosneft para garantir pagamentos futuros. Além disso, a Rosneft aumentou sua participação numa joint-venture de petróleo do Orinoco e também recebeu acesso às maiores reservas de gás da Venezuela.



Joint-ventures na faixa petrolífera do Orinoco. Fonte



A interligação da economia venezuelana com a política nacional e internacional

CHINA-VENEZUELA: A estratégia da China gira em torno de um compromisso pragmático com a “não-intervenção”, protegendo seus compromissos financeiros consideráveis ​​protegendo-se política e comercialmente.

RÚSSIA-VENEZUELA: Na sequência da ascensão política de Guaidó, a Rússia redigiu uma resolução da ONU expressando “suas preocupações com as ameaças ao uso da força” contra a Venezuela. A Rússia disparou um tiro retórico na política externa dos EUA, advertindo que “a interferência cínica e evidente nos assuntos internos de um Estado soberano” deve parar.

Sobre o Porto de Antuérpia (Bélgica), o maior cluster petroquímico da Europa, e a sua imponente rede de pipeline multiproduto




O Porto de Antuérpia está localizado no centro de Flandres, no coração da zona comercial mais poderosa da Europa. É a sede da principal plataforma marítima e logística integrada da Europa, que permite o trânsito suave, livre de erros e rápido de mercadorias para todos os principais mercados europeus. O porto de Antuérpia também é conhecido pelos seus procedimentos alfandegários rápidos, intuitivos e descomplicados.

A Flandres é um local popular para a sede e escritórios de empresas petroquímicas líderes mundiais. A região responde por 70% da indústria petroquímica da Bélgica, sendo que 13 das 20 maiores empresas petroquímicas estão presentes na Bélgica.

A Flandres abriga o maior cluster petroquímico da Europa, situado no porto de Antuérpia. De fácil acesso, não é apenas o maior do género na Europa; é também o segundo maior do mundo. Em grandes números, a área portuária contempla:
  • 500 empresas químicas em 2.500 ha de área industrial;
  • 5 refinarias de petróleo;
  • 5 steam crackers;
  • um portfólio de 300 produtos químicos diferentes.




Com mais de 40 km2 de indústrias químicas que abrigam 7 das 10 maiores empresas químicas do mundo, o Porto de Antuérpia é de longe o maior aglomerado químico da Europa. Também possui a maior capacidade de armazenamento da Europa para a indústria petroquímica, com cerca de 350.000 m3 de tanques de aço inoxidável e 8 terminais plásticos de múltiplos clientes com uma capacidade total de mais de 430.000 m³.

O Porto de Antuérpia possui um nível extremamente alto de integração e diversidade em toda a cadeia de valor - uma combinação única no mundo. De matérias-primas, commodities e produtos intermediários até produtos finais, o porto possui unidades em energia, integração de processos e logística, para uma relação custo-benefício líder mundial.

Além disso, os pipelines do porto formam um importante centro do norte da Europa para o trânsito de petróleo bruto, nafta, etileno, propeno, gás natural, etc.




Revista semanal de imprensa (BEQ.2019.6): Total nas renováveis em Portugal, baterias de grafeno, Amorim investe em mais cortiça, e comunicar melhor ciência




A Total venceu a corrida à compra da Novenergia, o quarto maior produtor de energias limpas em Portugal, com uma oferta superior a 600 milhões de euros. Entre os grupos que também disputavam a aquisição da empresa de energias limpas estavam a estatal chinesa Datang, o fundo norte-americano Contour Global e a Finerge (outro dos grandes produtores de energia eólica em Portugal).


É uma das novidades da Energizer na feira de tecnologias móveis que decorre em Barcelona. Com este smartphone, é possível ouvir 100 horas seguidas de música e pode mesmo aguentar 50 dias sem precisar de ser carregado.

A Corticeira Amorim vai investir sete a 10 milhões de euros, nos próximos três anos, na plantação de sobreiros. A meta do grupo é plantar 50 mil hectares em Portugal na próxima década, o que corresponde a um aumento da área total de montado de sobro do país em 7%, mas permitirá aumentar em cerca de 30% a produção de cortiça.


Três faculdades da Universidade do Porto (U.Porto) juntam-se num curso que visa “criar uma cultura de comunicação” e facultar a investigadores e estudantes de doutoramento ferramentas que lhes permitam “comunicar a ciência”, adiantou hoje o responsável.

Sobre a produção de neve artificial para fins de turismo e desporto de inverno: aspectos técnicos e algumas características e factos sobre esta prática




A tecnologia de produção de neve envolve o uso de nucleadores que produzem uma mistura de água e ar comprimido que forma núcleos de neve (nuclídeos) ao entrar na atmosfera. Os bocais dos canhões de neve atomizam a água em gotículas finas que se combinam com os nuclídeos e congelam na forma de pequenos cristais de neve a caminho do chão. Esta queda é simulada diferentemente por diferentes tipos de canhões de neve. Os canhões de ventoinha são equipados com um ventilador de ar para este propósito, enquanto as lanças de neve recorrem à queda natural de um alturas de até 10 metros.

Tal como acontece com a queda de neve natural, a temperatura do ar e a humidade do ar precisam de cumprir certos requisitos para a produção técnica (artificial) de neve. O termo usado na tecnologia de produção de neve é, portanto, a temperatura de bulbo húmido, que expressa a razão entre a temperatura e a humidade relativa do ar. A temperatura de bulbo húmido está sempre abaixo da temperatura externa. Quanto mais húmido está o ar, menor a quantidade de água que ele pode ainda absorver, e mais baixa a temperatura tem de estar para formar cristais de neve a partir das finas gotas de água.



Os canhões de neve da TechnoAlpin começam a produzir neve a partir de uma temperatura de bulbo húmido de -2,5 ° C. Caso a humidade atmosférica seja muito baixa, esse nível pode ser alcançado com temperaturas ligeiramente acima de 0 ºC, mas se a humidade do ar for alta, temperaturas abaixo de zero são necessárias.

As temperaturas em torno do ponto de congelamento são referidas como temperaturas limítrofes ou temperaturas limite. A temperatura da água também é um fator chave, especialmente nessas temperaturas limite. Torres de arrefecimento são usadas para atingir a temperatura ideal da água e aumentar a eficiência de um sistema de produção artificial de neve.

Fonte: Techno Alpin


Algumas características e factos adicionais sobre a produção de neve artificial: 


  • Com uma densidade de 300-500 kg / m³, a neve artificial é quatro vezes mais dura que a neve natural (De Jong, C. 2010).
  • Substâncias adicionais podem ser misturadas à água para manter a neve artificial a temperaturas acima de 0 ° C.  [...] Por exemplo, em algumas regiões dos Alpes, a bactéria americana Pseudomonas syringae é introduzida no água para poder produzir neve artificial a temperaturas mais altas. As bactérias são inativados por radiação e então utilizadas como germes de cristalização para poupar energia (ROCHLITZ 1989 em Doering, A. et al (1996)). O uso dessas bactérias é proibido na Alemanha, mas geralmente é difícil de detetar;
  • Os investimentos em sistemas de neve artificial podem requerem entre 15 e 20 anos de amortização, tendo em conta pelo menos 100 dias por ano de neve com temperaturas abaixo de -3 ° C;
  • A produção de neve artificial de um m³ custa 2,50 €, incluindo trabalho de escavação e nivelamento, eletricidade para compressores e canhões, e compactação (Canardages (2010));
  • A criação de neve artificial visou inicialmente a compensação pela falta de cobertura com neve natural , mas evoluiu para um procedimento de rotina com vista a cobrir pistas de esqui inteiras antes do início da queda de neve natural para garantir a certeza da neve durante toda a temporada (dezembro a abril) (Bürki et al 2008 in De Jong, C. (2009)).
and economical aspects, 2017, University of Life Sciences and Natural Resources Vienna, Austria

Revista semanal de imprensa (BEQ.2019.5): neve negra, Argentina e Vale travam Brasil, novo coordenador de Engª Química, e fábrica da Ferrero pára produção


A cidade russa de Kemerovo, na Sibéria, está a ser afetada por um fenómeno raro: em vez de branca, a neve que cobre as ruas, as habitações e as árvores é negra. Esta é uma consequência da forte poluição registada nesse centro industrial e noutras cidades da zona.

A indústria brasileira fechou 2018 com resultado decepcionante, um crescimento de apenas 1,1%. E, segundo analistas, 2019 não deve ser tão diferente. A recessão argentina e a redução na produção da Vale em decorrência do rompimento da barragem em Brumadinho já fazem economistas reverem, para baixo, as projeções de crescimento do setor para este ano.



O Eng. de Plástico Luís Sidnei Barbosa Machado, coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Química do CREA-RS, foi eleito coordenador nacional das Câmaras Especializadas de Engenharia Química., durante o Encontro de Líderes que ocorreu em Brasília. Afirma que buscará o fortalecimento das Câmaras de Engenharia Química no Brasil.


O grupo italiano Ferrero interrompeu temporariamente as atividades na maior fábrica de produção de Nutella do mundo, devido a um problema de qualidade que surgiu esta semana. Localizada na região francesa da Normandia, a fábrica produz um terço de todos os potes de Nutella vendidos globalmente, segundo o site da empresa.

Sobre o investimento de US $ 10 milhões da Volkswagen na start-up Forge Nano., e baterias elétricas melhoradas a partir de deposição em camada atómica



O Grupo Volkswagen pretende investir US $ 10 milhões na startup “Forge Nano Inc.” com o objetivo de reforçar o seu conhecimento especializado no domínio de investigação em baterias. A Forge Nano está a investigar uma tecnologia de revestimento de materiais que pode melhorar ainda mais o desempenho de baterias elétricas. Enquanto parceira, a Volkswagen fornecerá suporte para testes industriais desta tecnologia. A transação ainda está sujeita à aprovação das autoridades.

A Volkswagen tem colaborado com a Forge Nano desde 2014 na investigação avançada de materiais para baterias . A startup com sede em Louisville, Colorado, investiga processos para o aumento de escala da tecnologia de deposição em camada atómica (ALD) para criar novos materiais do tipo core-shell, especialmente para aplicação em baterias. A tecnologia ALD é um processo químico para aplicação de revestimentos à escala atômica, um átomo de cada vez. Com a sua tecnologia ALD específica, a Forge Nano visa aumentar a densidade de energia das células de bateria de veículo automóveis, a qual teria efeitos positivos na autonomia de veículos elétricos. A Volkswagen tem partilhado os seus conhecimentos em matérias de automóveis e baterias para os esforços de investigação aplicada da Forge Nano.

Segundo Axel Heinrich, chefe da Volkswagen Group Research: “Na Volkswagen, queremos ser o fornecedor líder mundial de mobilidade elétrica. Estamos continuamente a expandir o know-how de tecnologias de bateria necessário para essa finalidade. Precisamos de salvaguardar a nossa competência tecnológica para o futuro. A cooperação com start-ups é um elemento-chave nesses esforços. Estamos a atuar como parceiros da Forge Nano e pretendemos oferecer à equipa oportunidades para realizar testes industriais com sua tecnologia inovadora”.

Já Paul Lichty, fundador e CEO da Forge Nano, afirma: “A nossa tecnologia de engenharia de superfícies de precisão atómica está a inaugurar uma nova era para os materiais de alto desempenho. Estamos entusiasmados por fazer parceria com uma empresa que tem um compromisso tão forte de comercializar esta inovação ”.

Fonte: Forge Nano


A corrida por vantagem de desempenho em baterias elétricas para automóveis



Segundo a empresa, os dados sobre a qualidade dos revestimentos produzidos pela Forge Nano em baterias de iões de lítio mostram que:

  • Se ativados pela tecnologia ALD, os materiais usados como cátodo e ânodo, aumentam a vida útil da bateria em até 200%;
  • 20% maior capacidade da bateria em células de grande formato (40 Ah); 
  • 60% de redução na geração de gases no material catódico;
  • Um pó catódico de alta voltagem de baixo custo com desempenho excecional;
  • Usando os revestimentos eletrolíticos da Forge Nano, observa-se uma maior capacidade que os materiais convencionais para carga rápidas.  

Argumentos comparativos de desempenho invocados pela Forge Nano.

Revista semanal de imprensa (BEQ.2019.4): crustáceos para limpar petróleo ou proteger arte, Hovione investe 200 M€, e preço da biomassa ameaça fechar centrais




Um conjunto de géis inovadores, com “elevada capacidade de remediação de ambientes contaminados com hidrocarbonetos de petróleo”, foram desenvolvidos por investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), foi hoje anunciado.




Empresa farmacêutica vai construir nova unidade no Parque Empresarial Baía do Tejo. Região acredita que será um farol para atrair outras empresas. Objectivo é investir 200 milhões e criar mais de 200 postos de trabalho.



O alerta é deixado por Carlos Alegria, presidente da Associação dos Produtores de Energia com Biomassa (APEB): “Se o preço dos resíduos florestais chegar aos 40/50 euros por tonelada, que é o valor pelo qual são vendidos à indústria da pasta de papel, porque tem um maior valor económico, eu fecho a central.


Investigadores portugueses estão a desenvolver um novo produto, não tóxico e feito com os exoesqueletos de camarão, para protecção de esculturas que se encontram nos espaços públicos das cidades.

Sobre as 10 marcas mais valiosas da indústria química em 2018 (segundo a Brand Finance), a sua distribuição geográfica, e a respetiva explicação do desempenho



BASF- A alemã BASF é mais uma vez a marca de produtos químicos mais valiosa do mundo, após um ano em que o valor da sua marca cresceu 10,8% para US $ 8,3 mil milhões. A empresa foi reconhecida dentro da indústria pela sua ação climática corporativa e esforços de segurança hídrica.

A empresa lançou também uma iniciativa para tornar a sua atividade neutra em termos de dióxido de carbono até 2030 e o compromisso de não aumentar os seus gases de efeito estufa entre 2018 e 2030, ao mesmo tempo que procura implementar métodos de produção química inovadores e mais amigos do ambiente. Acresce ainda que a BASF está a ser pioneira na adoção de tecnologias revolucionárias, e encontra-se a digitalizar as suas fábricas de produtos químicos com 600 mil sensores usados em rede no seu complexo principal de Ludwigshafen.

SABIC - Enquanto novo participante na edição anterior do ranking Brand Finance Chemicals 10, a gigante petroquímica da Arábia Saudita SABIC  manteve-se firme em terceiro lugar e beneficiou de um sólido crescimento do valor da marca em 6,5%, totalizando US $ 4,0 mil milhões. Este sucesso pode ser atribuído à expansão contínua de investimentos da marca na China, apesar da esperada desaceleração no crescimento económico desse país. A SABIC também continuou a aumentar sua presença na África, que se afigura um promissor mercado lucrativo. O foco na inovação de produtos e o impulso para moldar o progresso em torno da economia circular deve bem a marca SABIC, à medida que a sustentabilidade se torna um fator de "higiene" para todas as partes interessadas.

LG CHEM - A sul-coreana  LG Chem cresceu mais rápido do que qualquer outra marca de produtos químicos, valorizando-se 38% para US $ 3,3 mil milhões, e levando a empresa do quinto à quarta posição, ultrapassando a DowDuPont. A LG Chem melhorou sua visibilidade de marca na Ásia, em grande parte devido ao aumento das vendas e expansão das fábricas de baterias da empresa na China.

DowDuPont - Embora a nova organização DowDuPont opere ainda sob as marcas individuais Dow e DuPont, e apesar de a nova empresa ter sido dividida em três novas entidades, a combinação das duas marcas - US $ 6,8 mil milhões e US $ 3,3 mil milhões, respectivamente - supera os US $ 8,3 milhões da BASF. A marca beneficiou do rebranding e do processo de fusão.

Praxair e AirLiquide -  Outras fusões de topo no setor tiveram lugar sem que as marcas herdadas tenham sido eliminadas, uma indicação clara do valor de seus nomes e reputações dentro da indústria química. Por exemplo, a Linde-Praxair (até 14,5% para US $ 2,3 mil milhões) e Air Liquide-Airgas (aumento de 10,5% para US $ 2,6 mil milhões) resistiram à oportunidade de adulterar marcas existentes no mercado, conseguindo assim fazê-las crescer.

AsahiKASEI - Na última posição do ranking, a japonesa AsahiKASEI é uma empresa que produz fibras sintéticas, produtos químicos industriais, petroquímicos, plásticos (resinas) e borracha sintética. A empresa também opera e vende imóveis, produtos farmacêuticos, equipamentos médicos, eletrónicos, materiais de construção e produtos de consumo. A marca está avaliada em US $2.2 mil milhões, tendo sofrido uma depreciação do seu valor em cerca de 4%.

Fonte: BrandFinance


As 10 marcas mais valiosas da indústria química em 2018, por país de origem da sua sede. Fonte: BrandFinance

Sobre a história das tecnologias de iluminação (da vela à lâmpada), e o que esta sugere sobre o paradigma do motor elétrico para o transporte rodoviário



Um dos temas do momento em matéria de transição tecnológica é sem dúvida a mudança de paradigma do motor de combustão interna para o motor elétrico em veículos rodoviários. O duelo foi enfatizado na publicação “Sobre a competição entre motor elétrico e motor de combustão interna em automóveis, e o reposicionamento da eng. química neste duelo”, e os anos que se seguiram a essa publicação têm vindo a reforçar a ascensão do motor elétrico, o qual se encontra no mapa das decisões políticas como uma transição necessária para contrariar a pegada ambiental que o setor dos transportes comporta na atualidade.

Após um período experimental em que o carregamento dos veículos elétricos foi suportado pelo próprio Estado, assiste-se agora à normalização da situação com cada utente de veículo elétrico a ter de suportar as despesas de recarregamento das baterias. É neste contexto que talvez seja pertinente analisar a evolução tecnológica de uma outra aplicação, a iluminação pública e particular, visto que também ela sofreu uma migração de um paradigma de dependência direta de combustíveis fósseis para a generalização da energia elétrica. 

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Iluminação elétrica: uma questão de escala e de custo 

A figura abaixo apresenta uma estimativa da evolução do total de fluxo luminoso mundial ao longo 
dos anos e em função da(s) tecnologia(s) de iluminação existentes. Nela se constata que de 1700 a 1800 as velas deram conta do recado em exclusivo, com uma o fluxo luminoso total a permanecer estável na casa dos 9-10 mil milhões de lúmen-hora. A melhoria de desempenho que constitui a iluminação a gás, que surgiu no início do século XIX, fez disparar o total de fluxo luminoso mundial, passando este a valer entre 100 e 1000 mil milhões de lúmen-hora por volta de 1850. Depois, entre 1850 e 1900 surgiu a iluminação a querosene, a qual em 1900 justificava sozinha mais de 1000 mil milhões de lúmen-hora. Importa salientar que, por volta de 1900, as velas, o gás e o querosene era tecnologias de iluminação alternativas entre si e mantinham todas elas tendências crescentes, a ponto de a iluminação mundial cifrar-se já nos 10 000 mil milhões de lúmen-hora. É então que a entrada no século XX traz consigo a disseminação alargada da lâmpada elétrica e da eletricidade, fazendo disparar o total mundial para mais de 100 000 mil milhões de lúmen-hora em 1950, e mais de 1 bilião de lúmen-hora por volta do início do século XXI. Igualmente importante é notar como a partir do século XX se observa a queda da utilização de querosene e gás para fins de iluminação. Assim, a iluminação por energia elétrica suplantou as fontes fósseis logo que atingiu escala e se aprimorou.

Na base das mudanças de paradigma observadas para iluminação de casas e espaços públicos estão critérios de desempenho, implicações técnicas, e claro, indicadores económicos. A figura abaixo traça a cronologia do preço da iluminação (por milhão de lúmen-hora) no Reino Unido desde 1825 até 2000, onde se verifica que após o surgimento de uma nova tecnologia - seja, gás, querosene ou eletricidade - o preço tendeu a cair abruptamente, e que eletricidade conseguiu suplantar o preço das demais de forma inequívoca. Importa aqui enfatizar que, quando a lâmpada elétrica surgiu, o preço da iluminação por energia elétrica era bastante superior ao do querosene e gás, mas isso não impediu que a tecnologia se estabelecesse, melhorasse e conseguisse tornar-se mais atrativa do que as concorrentes no espaço de alguns anos.

Imagem: Fouquet and Pearson, Seven Centuries of Energy Services: The Price and Use of Light in the United Kingdom (1300-2000)

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O que pode significar o motor elétrico para a engenharia química?


Tal como referido no post BEQ citado inicialmente, “o papel da engenharia química será certamente reformulado em relação ao que tradicionalmente lhe competia.” O motor elétrico para transporte rodoviário depende de tecnologias de materiais, de processos de produção desses materiais, e de saberes que a engenharia química já domina e é capaz de implementar. Em todo o caso, esta possível migração sugere uma maior interligação de disciplinas que historicamente tenderam a segmentar-se e autonomizar-se, como são a dos materiais, química, eletrotecnia, física, e outras.

Metais, semicondutores, díodos, gases, halogéneo, potência, fluorescência, incandescência, baterias, pilhas de combustível, eficiência energética, são exemplos da nomenclatura que engenharia química que se ocupa da iluminação tem de lidar. O assunto entronca também com o tema das energias renováveis, e o modo como a própria eletricidade precisa de ser produzida e armazenada de modo eficiente e sustentável. A figura abaixo exemplifica as diversas tentativas de tornar a iluminação a partir de energia elétrica mais eficaz, para o qual várias tecnologias e processos industriais concorrem entre si para proporcionar soluções e produtos cada vez melhores. 


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Não sendo possível antecipar o que irá acontecer em matéria de transporte rodoviário, é possível e expectável que alguns dos eventos que se avizinham para o motor elétrico tenham semelhanças com a história da iluminação, e que dentro de alguns anos o motor elétrico para o transporte rodoviário que hoje nos parece caro e de incerta implementação generalizada faça o seu percurso de escala e melhoria a ponto de se estabelecer como alternativa competitiva e real para a população mundial.

Sobre o motor de metabusca para produtos químicos Chembid, e a mudança que a digitalização acarreta na forma como clientes e fornecedores se relacionam



A empresa de produtos químicos STOCKMEIER, com sede em Bielefeld, na Alemanha, anunciou o investimento na start-up de tecnologia chembid. A jovem empresa é um spin-off do Grupo BÜFA e tem operado desde 2017 num motor de metabusca para produtos químicos.

Usando tecnologias digitais modernas, o chembid coleta, processa e agrupa informações sobre fornecedores e ofertas de lojas e mercados online, tornando-os facilmente acessíveis a seus clientes. Atualmente conta com cerca de dois milhões de produtos na plataforma e cerca de 100 000 fornecedores de mais de 160 países.

O investimento do Grupo STOCKMEIER é a primeira parceria estratégica que o chembid firma. O grupo familiar opera internacionalmente em mais de 40 locais e pode utilizar os seus quase cem anos de experiência em distribuição, produção e serviços no setor químico. Para o STOCKMEIER, o chembid é uma possibilidade de promover uma tecnologia pioneira. “No mundo da química, informações e dados terão um papel importante no futuro. No chembid, vemos um agregador de notícias para produtos e sua acessibilidade na Internet e, assim, nos envolvemos em um modelo de negócios do futuro ”, afirma o responsável executivo Peter Stockmeier.



De acordo com o CEO da BÜFA Holding, Felix Thalmann,  “A digitalização vem alterar todo o setor químico e, como resultado, as relações com os clientes - o modo como os clientes e fornecedores entram em contato uns com os outros, bem como as informações procuradas pelos clientes - também estão a mudar. Com o chembid, não reagimos apenas a esse desenvolvimento, mas queríamos moldá-lo ativamente. Juntamente com a STOCKMEIER, oferecemos a mais parceiros a possibilidade de participar do conceito de negócios de sucesso do chembid e impulsionar a transformação digital ”.

O chembid quer usar o investimento do STOCKMEIER para desenvolver ainda mais seu mecanismo de metabusca, para complementar mais serviços baseados em dados e promover o marketing global.

Fonte: STOCKMEIER

Sobre 2019 como o "Ano para a Eficiência Material – Economia Circular” segundo a Ordem dos Engenheiros, e publicações BEQ recomendadas nesse sentido




O Conselho Diretivo Nacional da Ordem dos Engenheiros deliberou decretar o ano de 2019 como o "Ano OE para a Eficiência Material – Economia Circular”, iniciativa focada na economia circular e nas eficiências material, energética e hídrica, bem como no combate ao desperdício.

Tendo em conta a destruição de ecossistemas e a escassez de recursos naturais, que têm vindo a assumir um peso cada vez maior na Sociedade moderna, criando necessidades de alterações de paradigmas, que visem maior sustentabilidade a nível económico, natural e social, e de forma a assegurar um futuro sustentável para as gerações vindouras, foi criado um novo modelo de desenvolvimento, em formato circular, que afasta o conceito linear (produção, consumo, supressão) e se materializa num novo modelo baseado na otimização dos ciclos de vida, em circuito fechado, que reaproveita matérias. Este novo paradigma evita desperdícios de capital natural e humano, acrescenta valor, fomenta a partilha e torna o Planeta mais sustentável e eficiente, tornando o papel da Engenharia decisivo na procura e definição de soluções tecnicamente viáveis. 

A abordagem integrada que será feita a este tema resulta da convicção de que este novo modelo decorrerá necessariamente de soluções desenvolvidas pela Engenharia, a todos os níveis, que façam face às atuais tendências de aumento populacional, ao crescimento da procura e consequente pressão sobre os recursos naturais, que concorram para a melhoria das condições de vida, bem como a regeneração do capital natural.

Tendo isso presente, o Conselho Diretivo Nacional da Ordem dos Engenheiros decidiu colocar um foco superior, durante 2019, nesta temática, elegendo-o como o "Ano OE para a Eficiência Material – Economia Circular”. Esta iniciativa será sustentada por um conjunto de atividades a desenvolver durante o ano, baseadas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), decretados em 2015 pelas Nações Unidas, e em vigor até 2030.


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Algumas publicações BEQ relevantes no contexto de Eficiência Material – Economia Circular:

Revista semanal de imprensa (BEQ.2018.35): Qatar fora da OPEP, Alentejo gerador de riqueza, reciclagem insuficiente em Portugal, e dessalinização no Brasil

Nesta rubrica o BEQ faz uma compilação de notícias, artigos ou outros conteúdos, descobertos e lidos no decorrer da semana, e que tratam de temas centrais ou conexos com a engenharia química.O mote é divulgar este ramo engenharia pela promoção e consulta de conteúdos originalmente publicados por outras fontes que não o BEQ, desde logo blogues, jornais, revistas, ou sites em geral.


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O Qatar vai deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo em janeiro - um anúncio feito esta segunda-feira pelo ministro da Energia. O país, membro da OPEP desde 1961, é um dos mais pequenos produtores da organização. Representa menos de 2% da produção total de petróleo, mas é o maior exportador de gás natural liquefeito.


Ao contrário do que possa pensar, o primeiro lugar entre as regiões portuguesas não é ocupado por Lisboa, que fica na segunda posição, mas sim pelo Alentejo Litoral, com um PIB por habitante (rácio entre o PIB regional a preços correntes e a população residente) de 27,3 mil euros em 2017.


Associação ambientalista adverte que a véspera e o dia de Natal são o pico de produção de resíduos do ano. “Reutilizar – Para o ano há Natal” é a palavra de ordem da Zero, que recomenda os consumidores a separar e guardar papel ou mesmo a encontrar outras formas criativas de evitar o embrulho de presentes.


Anunciados como uma das ações do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) em parceria com Israel para o Nordeste, os dessalinizadores não são novidade no sertão e existem em centenas de comunidades do semiárido.

Sobre o documentário GasLand, e os fins não justificarem os meios (políticos e industriais) em matéria de exploração de gás natural nos EUA




Um dos fenómenos estruturais que emergiu na última década é o da indústria do gás (natural) de xisto nos EUA, que revolucionou o mercado mundial de gás natural a favor dos norte-americanos. O que foi menos abordado no BEQ e que igualmente merece debate e atenção é a controversa disseminação da tecnologia de fratura hidráulica (hydraulic fracking) pelo território norte-americano, a qual está longe de ser um método limpo, saudável e sustentável para se atingir o fim a que se propõe. É com este enquadramento que o documentário GasLand - dirigido, escrito por  Josh Fox e estreado em 2010 - ganhou pertinência, a ponto de justificar nomeação para um óscar na categoria de melhor documentário. Este pode ser visto na íntegra (mas sem legendas) aqui.

Ao invés de seguir um tónico ativista pró-natureza que muitas vezes cria mais divisões do que consensos, Fox narra em primeira pessoa e na qualidade de cidadão o conflito e dano causado pelo aparecimento de uma oportunidade industrial e económica que colide não só com a legislação que regula a qualidade de água nos EUA (Clean Water Act) como também a qualidade do ar (Clean Air Act). Na prática, esta oportunidade tem efeitos nocivos e diretos para as populações situadas na vizinhança da crescente exploração de poços de gás natural pela tecnologia de hydraulic fracking, em grande medida pela problemática ligação que este produto pode ter, no subsolo, com os recursos hídricos existentes, muitos dos quais usados com fonte de água potável. A este respeito, a figura abaixo ilustra como as vastas regiões dos EUA ricas em gás natural (manchas a vermelho) concindem com a hidrografia do país.


Após rejeitar cem mil dólares por parte de uma empresa interessada na exploração do subsolo da propriedade que fora de seus pais, John Fox inicia uma investigação em torno do porquê desta inesperada oferta, e dos prós e contras de a rejeitar no contexto individual e societal.

O gás natural é muitas vezes rotulado como combustível de transição para uma economia mais verde, porque a nível de emissões consegue ser melhor que o carvão, por exemplo. Porém, a estratégia norte-americana que conduziu à exploração massiva deste recurso encontrou no político americano Dick Cheney o grande viabilizador, porque este promoveu uma legislação que isenta a indústria de petróleo e gás de de cumprir as leis referentes à qualidade de água e do ar. Sem isto, a exploração do gás xisto não poderia avançar, porque rapidamente colidiria com leis que salvaguardam a necessidade superior de que a água e o ar sejam saudáveis para as populações humanas, vegetais e animais. Um detalhe também é que as emissões acidentais ou subreptícias das explorações de gás de xisto direto para a atmosfera não são quantificada e contabilizadas nas emissões totais deste país.

Foi então com este ponto de partida político - auxiliado pela perspectiva de mais emprego e criação de riqueza - que empresas como a EnCana, Williams, Cabot Oil and Gas, ou Chesapeake iniciaram a explorações em 34 estados norte-americanos, totalizando mais de 450 mil poços. Em termos de intensidade de consumo de recursos, a exploração de gás natural por via da fratura hidráulica faz com que as referidas centenas de milhar de poços representem um consumo direto de água na ordem de 1.4 × 109metros cúbicos ao longo do período de vida útil dos mesmos. Acresce que a esta água são adicionados 596 aditivos químicos (segundo Fox) alguns dos quais nem sequer identificáveis e controlados por constituírem segredos industriais.


Devido à possibilidade (e probabilidade) técnica do gás natural contactar com as fontes de água potável sempre que no subsolo se rebenta com as formações rochosas e abre fendas, as evidências desta interferência começaram a surgir nos EUA em várias residências domésticas próximas de explorações, na forma de uma degradação da qualidade da água por via do aparecimento de cor escura, sabor metálico, e relatos/demonstrações de água que se incendia (ver imagem acima). Finalmente, estas evidências são comprovadas pelas análises a amostras de agua, onde se deteta a presença anómala de compostos benzénicos, metais pesados, e outros aditivos como glicóis ou tensoativos.

Um dos lados mais perversos do documentário é a demonstração de que as autoridades políticas e ambientais estatais e centrais norte-americanas fazem/fizeram vista grossa às evidências preocupantes, encorajando os cidadãos a recorrerem a um advogado para contestar a título independente a clara degradação da qualidade de vida, e o aumento de riscos de saúde. É a falência do Estado e um evidência do fronteira ténue entre lobby e corrupção ao nível das lideranças políticas.

Sem querer de forma alguma substituir o visionamento do documentário, é importante que a engenharia química não se deixe sequestrar do lado errado da história, que é sempre o lado em que humanos e natureza saem tremendamente prejudicados a troco de criação de riqueza e vantagem económica. A este respeito, importa reavivar a publicação "Sobre o dever ético do eng. químico de fazer "soar os alarmes" sempre que detete circunstâncias que comprometam o interesse público", na qual se mostra que não faz parte do código profissional do engenheiro ignorar e negligenciar aspetos de segurança e saúde sempre que estes se representem riscos graves para o interesse público. Também por isso este documentário merece atenção e destaque neste blogue.
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