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Revista semanal de imprensa (BEQ.2019.7): reformas no óleo de palma, o hype da cannabis, indústria da moda poluidora, e nova fábrica de cortiça nos EUA



A Indonésia está a desencadear uma reforma da sua indústria de óleo de palma, marcada pela corrupção, que causou perdas milionárias, prejudicou a imagem do país e levou à detenção de vários governadores provinciais e municipais, segundo a Efe.


Polêmica como poucas, a indústria da maconha cresce mundo afora. Num ritmo muitas vezes alucinante. No ano passado, o setor registrou uma alta de faturamento de 28,8%, chegando a US$ 12,9 bilhões. (...) Apenas nos Estados Unidos, a indústria da cannabis emprega cerca de 200 mil trabalhadores.


A indústria da moda responde por algo entre 8% e 10% das emissões globais de gases-estufa, mais que a aviação e o transporte marítimo juntos. É o segundo setor da economia que mais consome água e produz cerca de 20% das águas residuais do mundo. 


A líder mundial do setor corticeiro inaugura, a 2 de abril, uma nova fábrica nos Estados Unidos, tradicionalmente o seu principal mercado mas que foi destronado pela França no ano passado, num investimento superior a oito milhões de euros. 

Coluna 'Ver para Crer' (BEQ.2019.8): a vantagem de poder usar magnetismo para efectuar separações e transporte de materiais


Corroborando a máxima de que uma imagem vale mais que mil palavras, a coluna 'Ver para Crer' BEQ tem por objetivo divulgar conteúdos multimédia cativantes que possam elucidar dos diferentes fenómenos e contextos em que a engenharia química tenha uma palavra a dizer, seja de forma direta ou meramente simbólica.

Sobre a solução de pavimento Topmix Permeable (Tarmac), a proeza drenar 1000 L de chuva por minuto e metro quadrado, e o pavimento como regulador térmico




Em vilas e cidades onde o paisagismo é mais difícil e onde os espaços verdes são limitados, apenas cerca de um décimo de água da chuva é absorvida pelo solo. Isto contrasta com valores de 80-90% nas áreas rurais. Os espaços construídos cresceram rapidamente nos últimos 50 anos, resultando em grandes áreas de terra pavimentada com materiais impermeáveis.

O TOPMIX PERMEABLE da Tarmac pode conferir um papel fundamental na maioria dos
Sistemas Urbanos de Drenagem Sustentável (SuDS), proporcionando uma resposta a longo prazo aos riscos de inundações devido a águas superficiais.

Este pavimento de drenagem rápida direciona rapidamente o excesso água para longe das vias, superfícies de estacionamento, calçadas e passadiços. Isso permite que a água da superfície seja drenada para os sub-estratos e se dissipe naturalmente, reduzindo o risco de inundações de águas superficiais e contaminação de cursos de água.





Características de desempenho:

• Volume de espaço vazio até 35%;
• Taxa de escoamento: até 1 000 L / m2 / min;
• Resistência à compressão: 10-20N / mm2;
• Resistência à flexão: 1,5-3N / mm2.





Vantagem também para melhor a sensação térmica no pavimento

Um sistema típico consiste numa camada de TOPMIX PERMEABLE da Tarmac instalado em cima de um agregado sub-base, que por sua vez é colocada em solo não perturbado ou numa camada de cobertura. A estrutura e as dimensões de cada camada dependerá da aplicação e o design do sistema.

Esta solução permite que a água da chuva drene através da superfície. Durante os períodos de alta precipitação o sistema funciona como um reservatório, atrasando a descarga de águas pluviais em cursos de água ou sistemas de drenagem.

Para além disso, a sua capacidade de armazenar água permite funcionar também como um sistema de arrefecimento em períodos de temperatura crescente, levando a que água armazenada comece a evaporar, e criando assim um ciclo de arrefecimento a partir da superfície de pavimento.


Revista semanal de imprensa (BEQ.2019.6): Total nas renováveis em Portugal, baterias de grafeno, Amorim investe em mais cortiça, e comunicar melhor ciência




A Total venceu a corrida à compra da Novenergia, o quarto maior produtor de energias limpas em Portugal, com uma oferta superior a 600 milhões de euros. Entre os grupos que também disputavam a aquisição da empresa de energias limpas estavam a estatal chinesa Datang, o fundo norte-americano Contour Global e a Finerge (outro dos grandes produtores de energia eólica em Portugal).


É uma das novidades da Energizer na feira de tecnologias móveis que decorre em Barcelona. Com este smartphone, é possível ouvir 100 horas seguidas de música e pode mesmo aguentar 50 dias sem precisar de ser carregado.

A Corticeira Amorim vai investir sete a 10 milhões de euros, nos próximos três anos, na plantação de sobreiros. A meta do grupo é plantar 50 mil hectares em Portugal na próxima década, o que corresponde a um aumento da área total de montado de sobro do país em 7%, mas permitirá aumentar em cerca de 30% a produção de cortiça.


Três faculdades da Universidade do Porto (U.Porto) juntam-se num curso que visa “criar uma cultura de comunicação” e facultar a investigadores e estudantes de doutoramento ferramentas que lhes permitam “comunicar a ciência”, adiantou hoje o responsável.

Coluna 'Ver para Crer' (BEQ.2019.5): uma explosão de mercadorias iniciada por eletricidade estática

Static charge causes massive fire in back of box truck. from r/CatastrophicFailure



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Corroborando a máxima de que uma imagem vale mais que mil palavras, a coluna 'Ver para Crer' BEQ tem por objetivo divulgar conteúdos multimédia cativantes que possam elucidar dos diferentes fenómenos e contextos em que a engenharia química tenha uma palavra a dizer, seja de forma direta ou meramente simbólica.

Sobre Jim deMello, um empreendedor engº químico lusodescendente que começou por fazer limpezas numa empresa de elastómeros nos EUA e terminou dono dela



"O meu nome é Jim George DeMello. Nasci em New Bedford, Massachusetts, em novembro de 1940. Os meus pais também nasceram aqui nos Estados Unidos. Os meus avós da parte da minha mãe nasceram no continente, os da parte do meu pai nasceram nos Açores, no Pico.

(...) Foi em Engenharia Química que Jim se formou e ainda estudante começou a trabalhar na Acushnet Rubber, empresa já centenária que é famosa pelo material de golfe que produz, em especial as bolas. Acabou dono. É, de facto, uma história incrível, que vale a pena ouvir contada da boca do próprio: "Comecei a trabalhar lá, a fazer limpezas, quando estava ainda a estudar. Trabalhava lá no verão. Depois graduei-me e comecei a ser engenheiro na Acushnet Rubber. Depois daí fui subindo até chegar a ser presidente da companhia. Depois de ser presidente, passados três ou quatro anos, comprei-a."

(...) Durante cinco anos, Jim foi presidente, CEO e dono da Acushnet Rubber. Depois, em 2000, decidiu vendê-la e lançar-se em novos negócios. "Depois de vender a companhia, onde estive 40 anos, comecei então a ver prédios e a comprar casas. Os investimentos passaram a ser em imobiliário, tanto aqui em New Bedford como em Dartmouth, perto da universidade", explica. Mas ao mesmo tempo decidiu reforçar o apoio à comunidade portuguesa, sobretudo à educação, não só ajudando a criar a Discovery, que tanto o orgulha, como financiando bolsas de estudos portugueses na universidade."

Fonte: DN


Homem do ano em 2018, segundo a Prince Henry Society, New Bedfor Chapter

A Prince Henry Society, New Bedfor Chapter é uma sociedade fundada em 1980 por luso-americanos para preservar o contributo dos portugueses nos EUA, bem como promover a melhor cultural, económica, educacional e social de descendentes de portugueses nesse território.


Esta sociedade galardoou DeMello como homem do ano em 2018, pelo seu contributo filantrópico em prol da melhoria de condições para descendentes de portugueses nos EUA.


A empresa Acushnet Rubber e seus novos donos

A Acushnet Rubber Company, Inc. foi fundada em 1994 e está sediada em New Bedford, Massachusetts. A empresa faz negócio sob a marca Precix, e projeta e fabrica vedantes elastoméricos. Comercializa o-rings, vedantes do sistema de combustível, vedantes de uretano e vedantes para o sistema de travões de automóveis, etc. A empresa também fornece soluções personalizadas de elastómeros. Possui produtos para diversas aplicações, incluindo como setores automóvel / transporte, aeroespacial / militar / governamental, produção e exploração de energia, química, e médica. 

Desde 28 de Dezembro de 2012, a Acushnet Rubber Company, Inc. opera como subsidiária da ZD USA Holdings Inc, a qual fabrica peças de reposição para automóveis, e que por sua vez pertence á Anhui Zhongding Sealing Parts Co., Ltd. 

A Anhui foi fundada em 1980 e está sediada em Ningguo, China. A empresa vende produtos de borracha (não-pneu) na China e internacionalmente. Para além da tipologia de produtos  Acushnet Rubber, também fornece soluções de gestão de fluidos que incluem direção hidráulica, sistema de arrefecimento, sistema de combustível, tubos de drenagem, bem como condutas de entrada e exaustão de ar; etc. Além disso, a Anhui comercializa postos de recarga elétrica, sistemas de refrigeração e equipamentos de purificação de gás para veículos movidos a novos tipos de energia. Ela trabalha para os setores automotivo, de maquinaria de construção, processamento petroquímico, automação de escritório, ferroviário e marítimo, principalmente sob a marca Dinghu.

Coluna 'Ver para Crer' (BEQ.2019.4): na Austrália, quando o pavimento não aguenta o excessivo calor da estrada, os pneus é que pagam




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Corroborando a máxima de que uma imagem vale mais que mil palavras, a coluna 'Ver para Crer' BEQ tem por objetivo divulgar conteúdos multimédia cativantes que possam elucidar dos diferentes fenómenos e contextos em que a engenharia química tenha uma palavra a dizer, seja de forma direta ou meramente simbólica.

Sobre a história das tecnologias de iluminação (da vela à lâmpada), e o que esta sugere sobre o paradigma do motor elétrico para o transporte rodoviário



Um dos temas do momento em matéria de transição tecnológica é sem dúvida a mudança de paradigma do motor de combustão interna para o motor elétrico em veículos rodoviários. O duelo foi enfatizado na publicação “Sobre a competição entre motor elétrico e motor de combustão interna em automóveis, e o reposicionamento da eng. química neste duelo”, e os anos que se seguiram a essa publicação têm vindo a reforçar a ascensão do motor elétrico, o qual se encontra no mapa das decisões políticas como uma transição necessária para contrariar a pegada ambiental que o setor dos transportes comporta na atualidade.

Após um período experimental em que o carregamento dos veículos elétricos foi suportado pelo próprio Estado, assiste-se agora à normalização da situação com cada utente de veículo elétrico a ter de suportar as despesas de recarregamento das baterias. É neste contexto que talvez seja pertinente analisar a evolução tecnológica de uma outra aplicação, a iluminação pública e particular, visto que também ela sofreu uma migração de um paradigma de dependência direta de combustíveis fósseis para a generalização da energia elétrica. 

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Iluminação elétrica: uma questão de escala e de custo 

A figura abaixo apresenta uma estimativa da evolução do total de fluxo luminoso mundial ao longo 
dos anos e em função da(s) tecnologia(s) de iluminação existentes. Nela se constata que de 1700 a 1800 as velas deram conta do recado em exclusivo, com uma o fluxo luminoso total a permanecer estável na casa dos 9-10 mil milhões de lúmen-hora. A melhoria de desempenho que constitui a iluminação a gás, que surgiu no início do século XIX, fez disparar o total de fluxo luminoso mundial, passando este a valer entre 100 e 1000 mil milhões de lúmen-hora por volta de 1850. Depois, entre 1850 e 1900 surgiu a iluminação a querosene, a qual em 1900 justificava sozinha mais de 1000 mil milhões de lúmen-hora. Importa salientar que, por volta de 1900, as velas, o gás e o querosene era tecnologias de iluminação alternativas entre si e mantinham todas elas tendências crescentes, a ponto de a iluminação mundial cifrar-se já nos 10 000 mil milhões de lúmen-hora. É então que a entrada no século XX traz consigo a disseminação alargada da lâmpada elétrica e da eletricidade, fazendo disparar o total mundial para mais de 100 000 mil milhões de lúmen-hora em 1950, e mais de 1 bilião de lúmen-hora por volta do início do século XXI. Igualmente importante é notar como a partir do século XX se observa a queda da utilização de querosene e gás para fins de iluminação. Assim, a iluminação por energia elétrica suplantou as fontes fósseis logo que atingiu escala e se aprimorou.

Na base das mudanças de paradigma observadas para iluminação de casas e espaços públicos estão critérios de desempenho, implicações técnicas, e claro, indicadores económicos. A figura abaixo traça a cronologia do preço da iluminação (por milhão de lúmen-hora) no Reino Unido desde 1825 até 2000, onde se verifica que após o surgimento de uma nova tecnologia - seja, gás, querosene ou eletricidade - o preço tendeu a cair abruptamente, e que eletricidade conseguiu suplantar o preço das demais de forma inequívoca. Importa aqui enfatizar que, quando a lâmpada elétrica surgiu, o preço da iluminação por energia elétrica era bastante superior ao do querosene e gás, mas isso não impediu que a tecnologia se estabelecesse, melhorasse e conseguisse tornar-se mais atrativa do que as concorrentes no espaço de alguns anos.

Imagem: Fouquet and Pearson, Seven Centuries of Energy Services: The Price and Use of Light in the United Kingdom (1300-2000)

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O que pode significar o motor elétrico para a engenharia química?


Tal como referido no post BEQ citado inicialmente, “o papel da engenharia química será certamente reformulado em relação ao que tradicionalmente lhe competia.” O motor elétrico para transporte rodoviário depende de tecnologias de materiais, de processos de produção desses materiais, e de saberes que a engenharia química já domina e é capaz de implementar. Em todo o caso, esta possível migração sugere uma maior interligação de disciplinas que historicamente tenderam a segmentar-se e autonomizar-se, como são a dos materiais, química, eletrotecnia, física, e outras.

Metais, semicondutores, díodos, gases, halogéneo, potência, fluorescência, incandescência, baterias, pilhas de combustível, eficiência energética, são exemplos da nomenclatura que engenharia química que se ocupa da iluminação tem de lidar. O assunto entronca também com o tema das energias renováveis, e o modo como a própria eletricidade precisa de ser produzida e armazenada de modo eficiente e sustentável. A figura abaixo exemplifica as diversas tentativas de tornar a iluminação a partir de energia elétrica mais eficaz, para o qual várias tecnologias e processos industriais concorrem entre si para proporcionar soluções e produtos cada vez melhores. 


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Não sendo possível antecipar o que irá acontecer em matéria de transporte rodoviário, é possível e expectável que alguns dos eventos que se avizinham para o motor elétrico tenham semelhanças com a história da iluminação, e que dentro de alguns anos o motor elétrico para o transporte rodoviário que hoje nos parece caro e de incerta implementação generalizada faça o seu percurso de escala e melhoria a ponto de se estabelecer como alternativa competitiva e real para a população mundial.

Coluna 'Ver para Crer' (BEQ.2019.2): equipamento de medição do atrito em pistas de aeroporto, com vista à identificação de medidas corretivas

Corroborando a máxima de que uma imagem vale mais que mil palavras, a coluna 'Ver para Crer' BEQ tem por objetivo divulgar conteúdos multimédia cativantes que possam elucidar dos diferentes fenómenos e contextos em que a engenharia química tenha uma palavra a dizer, seja de forma direta ou meramente simbólica.

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Airport runway surface friction tester

Revista semanal de imprensa (BEQ.2018.33): encolhimento da Cimpor, novo antibiótico da Cipan, uma medalha de ouro, e o mármore em Portugal

Nesta rubrica o BEQ faz uma compilação de notícias, artigos ou outros conteúdos, descobertos e lidos no decorrer da semana, e que tratam de temas centrais ou conexos com a engenharia química.

O mote é divulgar este ramo engenharia pela promoção e consulta de conteúdos originalmente  publicados por outras fontes que não o BEQ, desde logo blogues, jornais, revistas, ou sites em geral.

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Muitas alianças e traições depois, aquela que chegou a ser a maior multinacional portuguesa acabou reduzida a três fábricas. Em apenas cinco anos, a Cimpor passou de lucros a prejuízos, duplicou a dívida e reduziu a rentabilidade para metade. O que ditou este encolhimento?


Depois de um período de incerteza sobre a sua estrutura accionista, a empresa agora controlada por espanhóis vai participar num novo antibiótico aprovado nos Estados Unidos.


Licenciado em Engenharia Química pela FEUP (1973) e doutorado na mesma área pela Universidade do País de Gales (1982), Sebastião Feyo de Azevedo foi distinguido este sábado com a Medalha de Ouro da Ordem dos Engenheiros (OE).


A trágica derrocada na pedreira de Borba trouxe à boca dos portugueses a palavra “mármore”. Será que os nossos decisores políticos, os nossos jornalistas e comentadores de serviço e o cidadão comum sabem o que é o mármore?


Sobre o ERIH (Roteiro Europeu do Património Industrial), o legado da indústria no cobiçado estilo de vida europeu, e pontos turísticos a visitar em Portugal



"Desde o início, a industrialização cruzou fronteiras - nunca foi um fenómeno puramente nacional. Desde meados do século XVIII, novas tecnologias e métodos de produção espalham-se rapidamente pela Europa. Os fabricantes construíram suas fábricas em diferentes países e geraram enormes lucros, e milhares de trabalhadores migraram para as áreas industriais emergentes. Os sindicatos lutaram com sucesso pelos direitos dos trabalhadores que se incorporaram no estado de bem-estar social europeu de hoje. Foi nessas fundações que se estabeleceu a Europa moderna, caracterizada pela sua grande prosperidade económica e seus altos padrões de assistência social e médica.

Todas as cidades, todos os monumentos industriais e todas as propriedades dos trabalhadores foram, e ainda são, parte desse processo que começou na Europa e se espalhou pelo mundo. Mas a maioria dos turistas ainda não está ciente disso. A rede intimamente conectada das regiões industriais europeias que continuam a inspirar e fortalecer umas às outras é algo que hoje raramente é apresentado na maioria dos monumentos e atrações industriais.

(...) O ERIH é o Roteiro Europeu do Património Industrial, uma rede dos mais importantes locais de património industrial da Europa. É o elo comum entre todos eles. De fábricas de produção desativadas a parques paisagísticos industriais e museus de tecnologia interativos."

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Alguns dos pontos de visita em Portugal:

Sobre a granulação (seca ou molhada) enquanto operação unitária que permite reduzir a produção de poeiras e aumentar a densidade aparente de produtos



O [livro] Perry’s Chemical Engineer’s Handbook define o processo de granulação como "qualquer processo pelo qual pequenas partículas são reunidas em massas maiores e permanentes nas quais as partículas originais ainda podem ser identificadas". Essa definição é particularmente apropriada para uma granulação farmacêutica. A rápida desaglomeração é importante para maximizar a área de superfície disponível e ajudar na dissolução do fármaco ativo. 

(...)  Nos tempos modernos, a tecnologia de granulação tem sido amplamente utilizada por uma ampla gama de indústrias, como carvão, mineração e agroquímicos. Essas indústrias empregam técnicas de aglomeração para reduzir a poeira, facilitar o manuseio e melhorar a utilidade final do material.


Fonte: Parikh, D.M., Introduction, Handbook of Pharmaceutical Granulation Technology, CRC Press, Boca Raton, 2005




 A granulação envolve a aglomeração de partículas finas em partículas maiores chamadas grânulos, com propriedades controladas tais como resistência, porosidade, compressibilidade, densidade ou distribuição de tamanho de partículas distinguíveis das partículas finas originais [1] [2] 

Além disso, facilita o manuseio do material e controla as características de desintegração e dissolução, a densidade aparente e a uniformidade do conteúdo API dos comprimidos, o produto final na indústria farmacêutica [3], [4], [5], [6].  (...) É ainda mais importante nas aplicações farmacêuticas, uma vez que permite um melhor controlo da uniformidade do teor de fármaco a baixas concentrações, além de atingir a densidade aparente do produto e a sua compactabilidade, mesmo para níveis elevados de fármaco (...).

 O processo de granulação pode ser classificado como tipo húmido e seco, dependendo do uso ou não de um ligante líquido no processo. (...) A granulação húmida tem sido predominantemente usada na indústria farmacêutica para fabricar comprimidos, o formato mais aceite de consumo de fármacos [11] e também para fabricar grânulos de densidade variável. Além disso, o uso desse aglutinante líquido resulta em características aprimoradas de compactação [12]. (...) Mas a granulação húmida é mais cara em termos de custo de equipamento e controlo de processo, além dos efeitos indesejáveis do teor de humidade em APIs e comprimidos se não controlados de forma eficaz [15], [16]. No entanto, a granulação húmida até a data ainda é muito popular na indústria farmacêutica. 

Em contraste, a granulação a seco é um processo relativamente simples e rentável, consistindo em etapas de compactação e moagem que aumentam significativamente a densidade aparente de drogas volumosas. É mais adequado para drogas sensíveis à humidade e calor, dado que não implica solventes orgânicos ou ligantes. Porém, produz poeiras ou finos (...) [17].

Fonte: P. Suresh, I. Sreedhar, R. Vaidhiswaran, A. Venugopal, A comprehensive review on process and engineering aspects of pharmaceutical wet granulation, Chemical Engineering Journal, 2017, 328, 785-815

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Esquema de funcionamento de alguns equipamentos e tecnologias de granulação:



Coluna 'Ver para Crer' (BEQ.2018.10): aplicando a lei dos gases ideais (PV=nRT) na abertura de uma garrafa de vinho com rolha de cortiça

Corroborando a máxima de que uma imagem vale mais que mil palavras, a coluna 'Ver para Crer' BEQ tem por objetivo divulgar conteúdos multimédia cativantes que possam elucidar dos diferentes fenómenos e contextos em que a engenharia química tenha uma palavra a dizer, seja de forma direta ou meramente simbólica.

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PV=nRT 




Revista semanal de imprensa (BEQ.2018.18): tratar água com biocarvão, Shell investe em R&D no Brasil, mais biodiesel no diesel, e tributo ao fundador da Coppe/UFRJ

Nesta rubrica, o BEQ faz uma compilação de notícias, artigos ou outros conteúdos, descobertos e lidos no decorrer da semana, e que tratam de temas centrais ou conexos com a engenharia química.

O mote é divulgar este ramo engenharia pela promoção e consulta de conteúdos originalmente  publicados por outras fontes que não o BEQ, desde logo blogues, jornais, revistas, ou sites em geral.


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Nos resíduos da indústria do papel pode estar a solução para remover das águas das aquaculturas os restos de fármacos utilizados pelos produtores. Na Universidade de Aveiro (UA), uma equipa de químicos conseguiu converter as lamas que resultam desses resíduos num biocarvão que, tal como um íman, é capaz de atrair e reter uma vasta gama de substâncias tóxicas.


Fundador da Coppe/UFRJ, Alberto Coimbra destacou-se pela criação de cursos de pós-graduação. Um curso de mestrado em engenharia química feito nos Estados Unidos, entre 1947 e 1949, e a percepção de como funcionava o sistema superior de ensino norte-americano, em 1960, levaram-nos a dar uma importante contribuição para a pós-graduação brasileira. Em 1963 ele criou o primeiro curso de mestrado em engenharia química do país na então Escola Nacional de Química da Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ).


Visando garantir o desenvolvimento de pesquisas avançadas sobre conversão de energia solar em produtos químicos e armazenamento de energia, a Shell Brasil em parceria com a Fapesp, Unicamp, USP e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), anunciaram nesta quarta-feira, 23 de maio, um investimento recorde de R$ 110 milhões destinado para criação do Centro de Inovação em Novas Energias (CINE).


O ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, recebeu hoje (23) sugestões das indústrias de óleos vegetais e álcool para tentar resolver a crise em torno do preço dos combustíveis, especialmente gasolina e diesel. Entre as sugestões apresentadas estão o aumento da mistura de biodiesel no diesel, venda direta de etanol para os postos de gasolina e revisão das metas da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio).


Sobre a ciência multidisciplinar 'Tribologia', e a sua aplicação no universo dos polímeros e da textura sensorial de alimentos





"Um comitê nomeado pelo governo em 1964 foi criado para encontrar formas de reduzir os efeitos adversos do atrito na economia industrial britânica. O comitê inventou a palavra Tribology [Tribologia] para enfatizar a natureza científica de estudar as interações de superfícies de contato sólidas em movimento relativo, sendo estas abrangidas por três disciplinas: Fricção, Lubrificação e Desgaste, tornando assim o prefixo "Tri" apropriado. O sufixo "-ology" refere-se a um ramo da aprendizagem. O atrito pode ser considerado como parte da física ou da engenharia mecânica. A lubrificação é coberta pela engenharia mecânica e química, enquanto que o desgaste faz parte da ciência de materiais.

(...) Ao longo da história da Tribologia, a abordagem para encontrar formas de reduzir o atrito foi principalmente por tentativa e erro ou por experimental. Estas produziram algumas leis científicas fundamentais, cuja base ainda hoje usamos. No entanto, a complexidade da engenharia moderna e a rivalidade que existe no mercado implica que as empresas melhorem continuamente  produtos existentes enquanto concebem novos produtos em períodos de tempo limitados. Muitas vezes, a pesquisa científica em Tribologia é baseada em programas de computador complexos que nem sempre estão disponíveis gratuitamente para a indústria. Uma solução é, portanto, conceber um design adequado e simples, métodos de diagnóstico e remediação, produzindo resultados o mais rapidamente possível."

Fonte: Gohar, R., Rahnejat, H., Fundamentals of Tribology, World Scientific Publishing Company, 2ª Ed., 2012


  •  Caso de aplicação I - Textura e desagregação de alimentos na boca


"A textura é uma das qualidades mais importantes dos alimentos, mas é uma percepção sensorial dos consumidores. (...) Devido à sua importância para o apelo do consumidor, a indústria de alimentos fez contribuições significativas. Entendemos agora que os seres humanos monitoram todo o processo desde a mordida inicial, passando pela mastigação até a deglutição, e a boca é um dispositivo de processamento extremamente sofisticado, com feedback e sensoriamento antecipado. Para entender os mecanismos de percepção, abordagens multidisciplinares de fratura e fracasso, reologia, tribologia e microscopia forense agora são aplicadas, e existem colaborações entre analistas sensoriais, físicos, engenheiros e fisiologistas orais. "


Fonte:  Lillford, P, Texture and breakdown in the mouth: An industrial research approach, Journal of Texture Studies 9 (2017) 213-218


  •   Caso de aplicação II - Força de aderência e de superfície em polímeros

"A tribologia de polímeros é uma área em rápido crescimento devido às crescentes aplicações de polímeros e compósitos poliméricos na indústria, transporte e em muitas outras áreas da economia. As forças de superfície são muito importantes para o contato com o polímero, mas a origem real de tais forças não foi totalmente investigada. A forte interação adesiva entre os polímeros leva a um aumento na força de atrito e, portanto, as asperezas do material podem ser removidas para formar partículas de desgaste ou camadas de transferência na contraface. A teoria da adesão de polímeros ainda não foi completamente elucidada e vários modelos de adesão foram propostos do ponto de vista físico ou químico. Este trabalho é focado nos esforços de pesquisa sobre adesão de polímeros com ênfase em mecanismos de adesão, que são muito importantes na análise de atrito e desgaste do polímero."


Fonte: Myshkin, N., Kovalev, A. Adhesion and surface forces in polymer tribology-A reviewFriction 6(2) (2018) 143–155 

Sobre a transição para uma economia industrial baseada em prestação de serviços, e as possíveis sinergias positivas para fabricantes, utilizadores e meio ambiente




"Uma economia baseada no modelo “serviço e fluxo” pode também ajudar a estabilizar o ciclo dos negócios, pois os consumidores passariam a adquirir o fluxo de serviços dos quais precisam continuamente, não mais equipamento durável, que é acessível somente nos anos favoráveis. Os prestadores de serviço seriam estimulados a manter os seus ativos produtivos durante o máximo de tempo possível em vez de desmontá-los prematuramente a fim de vender as peças. A capacidade ociosa e a subutilização tenderiam a desaparecer, uma vez que, contratando um prestador de serviço, a empresa já não teria por que se preocupar com o fornecimento ou estoque. Desapareceriam também os abatimentos ao fim do ano para vender o excesso de automóveis fabricados para consumidores que não os encomendaram, pois as quotas de produção foram aumentadas a fim de amortizar o caríssimo capital em equipamento que, para começar, não era necessário. Tal como são as coisas hoje, os fabricantes de bens duráveis têm uma relação de amor ódio com a durabilidade. No entanto, tornando-se prestadores de serviço, os incentivos a longo e curto prazo se harmonizam perfeitamente com o que querem os consumidores, com o que o meio ambiente merece, com que o trabalho necessita e com que a economia pode suportar



(...) O paradigma de serviço oferece ainda outros benefícios: aumenta o emprego porque, sendo os produtos projetados para reincorporar-se aos ciclos de fabricação, o desperdício se reduz e a demanda de mão-de-obra aumenta. Na indústria, cerca de um quarto da força de trabalho dedica-se à fabricação de matérias-primas como o aço, o vidro, o cimento, o silicone e as resinas, ao passo que três quartos se ocupam da fase de produção. Ocorre o inverso nos insumos energéticos: utiliza-se três vezes mais energia  para extrair material virgem ou primário que para fabricar produtos com esse material. Por conseguinte, a substituição do material primário por bens manufaturados reutilizados ou mais duráveis requer menos energia e oferece mais empregos."


Fonte: Capitalismo Natural - Paul Hawken, L. Hunter Lovins, Amory B. Lovins (Livro)


  • Sobre o livro:
Não se tratando de um livro cujo tema se esgota exclusivamente no universo da engenharia química, 'Capitalismo Natura'l apregoa a “Próxima Revolução Industrial”, algo que certamente é do interesse dos engenheiros químicos. Este livro inovador revela como as empresas globais de hoje podem ser ambientalmente responsáveis e altamente lucrativas.


Sobre novas espécies vegetais como fonte de agentes de curtimento de couro, e as folhas de oliveira como caso de estudo dessa aplicação



Em tempos idos, o BEQ fez uma publicação intitulada "Sobre o contributo da eng. química na evolução do processo de tingimento de pele animal (couro)", onde se mostrava "o contributo que a engenharia química (mas também mecânica) vieram trazer ao processo no sentido de o tornar menos exigente para o operador. A mecanização e aprimoramento da indústria têxtil veio substituir muita precariedade laboral por um trabalho tecnicamente mais evoluído e fisicamente menos exigente."

Voltamos agora ao assunto, para dar conta de uma investigação europeia que visou identificar novas espécies vegetais promissoras como fonte natural de taninos para curtimento de couro, com vista a dotar de maior sustentabilidade e segurança este tipo de processamento.

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Rubi fruticosus (Amoreira-silvestre ou silva), uma 
das plantas com extratos promissores para tingir couro


A seleção do agente de curtimento para o processo de curtimento depende do produto de couro a ser produzido, nomeadamente os seus requisitos durante a produção e uso posterior, mas também o preço e a disponibilidade (em escala). Embora 80% a 90% do couro produzido em todo o mundo seja curtido com sais de cromo (III) (Bilitewski et al., 2012), os agentes de curtimento de vegetais são também usados. 

Os agentes de curtimento vegetais podem ser combinados com agentes de curtimento à base de minerais ou aldeídos para criar as características necessárias no couro, como rigidez ou resistência aos raios UV. Na Europa, os agentes de curtimento de vegetais são principalmente aplicados em produtos de couro premium. Para isto, extratos líquidos são produzidos por extração de partes de plantas selecionadas, como casca, madeira, folhas, raízes ou frutos (Moog, 2005), seguindo-se um passo adicional de concentração e secagem desse extrato líquido.

Durante o processo de curtimento, os taninos dos extratos difundem-se no couro do animal e interagem com o colagêneo da pele do animal. Esta complexação resulta numa estabilização da pele do animal, sendo esse o objetivo da etapa de curtimento. Assim, quanto maior o teor de taninos (TC) de um extrato maior sua eficácia no curtimento.

(...) Uma investigação produzida pelos investigadores alemães abaixo identificados incidiu sobre ervas medicinais europeias como possíveis recursos para taninos vegetais e seu uso na produção de couro, mas também para outras aplicações, como na indústria alimentícia, farmacêutica ou química. Uma revisão detalhada da literatura foi realizada para identificar espécies vegetais com teores promissores de taninos. No total, 47 ervas medicinais europeias foram identificadas para uma análise mais aprofundada. O género Fragaria (morangueiro), as espécies Alchemilla vulgaris e Rubi fruticosus (Amoreira-silvestreou silva) foram identificados como novos potenciais fontes naturais para o curtimento de couro.

Fonte: Markus Maier, Anna-Luisa Oelbermann, Manfred Renner, Eckhard Weidner, Screening of European medicinal herbs on their tannin content—New potential tanning agents for the leather industry, Industrial Crops and Products, 99 (2017) 19-26.


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  • Wet Green, uma empresa de extratos de oliveira para curtir couro:


A empresa alemã Wet Green explora comercialmente um agente natural de curtimento designado wet-green® OBE. Este foi desenvolvido e patenteado pela empresa e consiste num concentrado de base vegetal produzido a partir de um extrato aquoso de folhas de oliveira. Os agentes ativos de curtimento são os mesmos presentes em alguns artigos cosméticos naturais e em azeite extra-virgem.

Os extratos são orientados para o mercado do couro premium, e têm como argumentos o facto de resultarem de subprodutos da exploração de oliveiras (ao invés do cultivo de oliveiras para este fim). Acresce também o argumento de que o produto está certificado relatavimente a compatibilidade cutânea (Dermatest), o que proporciona uma garantia de qualidade e segurança aos consumidores e fabricantes do couro tratado com este produto de base vegetal.




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