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Sobre a interligação dos recursos naturais da Venezuela com o financiamento da sua economia e complexa situação política do país




A Venezuela é um Membro Fundador da OPEP, Organização dos Países Exportadores de Petróleo. As receitas petrolíferas da Venezuela representam cerca de 98% das receitas de exportação. Além do petróleo, os recursos naturais do país incluem gás natural, minério de ferro, ouro, bauxita, diamantes e outros minerais.

A Venezuela é produtora de petróleo desde 1914, quando o primeiro poço de petróleo comercial, Zumaque I, foi perfurado no campo de Mene Grande, na costa leste do Lago Maracaibo.



Fonte: OPEP


Os recursos naturais como garantias de endividamento da economia venezuelana 

CHINA-VENEZUELA: Para Pequim, os abundantes recursos naturais e o fornecimento de energia da Venezuela poderiam ajudar a China a ter acesso de longo prazo a esses ativos nacionais vitais.

Em 2014, o principal banco de política da China, o China Development Bank (CDB), forneceu ao governo venezuelano mais de US $ 30 mil milhões em novos empréstimos garantidos por petróleo. Eles apoiaram principalmente investimentos nos setores de energia e mineração, incluindo unidades de energia, refinarias de petróleo e oleodutos. 

(...) Pequim usou acordos de empréstimos-por-petróleo, apostando que a capacidade de produção da estatal petrolífera da Venezuela (PDVSA) era uma garantia suficiente para o pagamento da dívida.

Este foi um erro de cálculo. A China sobrestimou a capacidade da Venezuela de sustentar a produção de petróleo e, consequentemente, a atividade económica, mas também sua capacidade de gerir com sucesso vários projetos comerciais espalhados por amplos setores da economia. A China pagou, assim, um alto custo quando a Venezuela se atrasou na sua garantia de petróleo e não conseguiu financiar projetos de transporte em 2014 devido ao agravamento da crise económica do país e do colapso histórico do setor de petróleo.

(...) No seu auge, entre 2010 e 2013, a Venezuela representou, em média, 64% das novas linhas de crédito aprovadas da China para a América Latina. Mas, de 2014 a 2017, a Venezuela representou 18% do total de novas linhas de crédito da China para a região.


RÚSSIA-VENEZUELA: (...) As empresas estatais da Rússia surgiram como principais investidores num momento em que o governo de Maduro achava cada vez mais difícil conseguir novos créditos de qualquer lugar, incluindo a China. A Rosneft e a Gazprom, gigantes da energia russa, forneceram financiamento de curto prazo para a empresa petrolífera estatal da Venezuela (PDVSA).

Em troca, a PDVSA forneceu 49,9% de seu total de ações de sua subsidiária nos EUA, Citgo, como garantia à Rosneft para garantir pagamentos futuros. Além disso, a Rosneft aumentou sua participação numa joint-venture de petróleo do Orinoco e também recebeu acesso às maiores reservas de gás da Venezuela.



Joint-ventures na faixa petrolífera do Orinoco. Fonte



A interligação da economia venezuelana com a política nacional e internacional

CHINA-VENEZUELA: A estratégia da China gira em torno de um compromisso pragmático com a “não-intervenção”, protegendo seus compromissos financeiros consideráveis ​​protegendo-se política e comercialmente.

RÚSSIA-VENEZUELA: Na sequência da ascensão política de Guaidó, a Rússia redigiu uma resolução da ONU expressando “suas preocupações com as ameaças ao uso da força” contra a Venezuela. A Rússia disparou um tiro retórico na política externa dos EUA, advertindo que “a interferência cínica e evidente nos assuntos internos de um Estado soberano” deve parar.

Revista semanal de imprensa (BEQ.2019.5): neve negra, Argentina e Vale travam Brasil, novo coordenador de Engª Química, e fábrica da Ferrero pára produção


A cidade russa de Kemerovo, na Sibéria, está a ser afetada por um fenómeno raro: em vez de branca, a neve que cobre as ruas, as habitações e as árvores é negra. Esta é uma consequência da forte poluição registada nesse centro industrial e noutras cidades da zona.

A indústria brasileira fechou 2018 com resultado decepcionante, um crescimento de apenas 1,1%. E, segundo analistas, 2019 não deve ser tão diferente. A recessão argentina e a redução na produção da Vale em decorrência do rompimento da barragem em Brumadinho já fazem economistas reverem, para baixo, as projeções de crescimento do setor para este ano.



O Eng. de Plástico Luís Sidnei Barbosa Machado, coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Química do CREA-RS, foi eleito coordenador nacional das Câmaras Especializadas de Engenharia Química., durante o Encontro de Líderes que ocorreu em Brasília. Afirma que buscará o fortalecimento das Câmaras de Engenharia Química no Brasil.


O grupo italiano Ferrero interrompeu temporariamente as atividades na maior fábrica de produção de Nutella do mundo, devido a um problema de qualidade que surgiu esta semana. Localizada na região francesa da Normandia, a fábrica produz um terço de todos os potes de Nutella vendidos globalmente, segundo o site da empresa.

Sobre um drone-laboratório desenvolvido na Rússia e capaz de fornecer dados precisos e em tempo real sobre a composição da atmosfera




Cientistas da Universidade de Samara (Rússia) testaram e apresentaram um "laboratório voador" composto por um microcromatógrafo gasoso voador. No teste inicial realizado, o dispositivo atingiu a altitude necessária, recolheu amostras e analisou-as online.

(...) O dispositivo portátil pesa pouco mais de um quilograma e substitui completamente os volumosos dispositivos de laboratório. Ele pode fornecer dados precisos sobre a composição da atmosfera, composição qualitativa e quantitativa de petróleo e gás natural, bem como analisar biomarcadores no ar humano exalado em poucos minutos.

(...) Este laboratório aéreo de química do ar é capaz de realizar uma análise operacional do estado da atmosfera a altitudes de até 1.000 metros e dentro de um raio de 2 km da fonte. Em modo autónomo, o dispositivo pode sobrevoar fontes potenciais de poluição do ar ao longo de uma rota pré-compilada com pontos de emissão designados, analisar a composição do ar e transmitir a informação recebida para o centro de controle do solo. O processo de análise das amostras obtidas leva até três minutos.



O dispositivo também pode registar e rastrear rapidamente o nível de concentração de substâncias no ar em diferentes altitudes e distanciamento da fonte. Isso permite prever a direção da propagação da poluição na atmosfera com mais precisão.

Este laboratório móvel pode ser usado por empresas de petróleo e gás natural, químicas e de energia, bem como outras empresas industriais cujas atividades estejam associadas a potenciais emissões de substâncias tóxicas na atmosfera. Além disso, o dispositivo pode ser usado com sucesso em situações de emergência, nomeadamente  quando é necessário fazer um grande volume de medições em vários pontos para se obter uma panorâmica confiável, ou quando o acesso físico à fonte de poluição é difícil.



Revista semanal de imprensa (BEQ.2018.12): indústria portuguesa a reabrir, ampliar e expandir, e a herança química tóxica da URSS

Nesta rubrica, o BEQ faz uma compilação de notícias, artigos ou outros conteúdos, descobertos e lidos no decorrer da semana, e que tratam de temas centrais ou conexos com a engenharia química.

O mote é divulgar este ramo engenharia pela promoção e consulta de conteúdos originalmente  publicados por outras fontes que não o BEQ, desde logo blogues, jornais, revistas, ou sites em geral.


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Nas contas de 2017, a Sonae Indústria indica que as fábricas de Oliveira do Hospital e de Mangualde, que foram afectadas "gravemente" pelos incêndios de Outubro de 2017 estarão "novamente operacionais" em Abril, "com melhoria dos activos industriais e processos de produção", indica o comunicado da Sonae Indústria.

A multinacional francesa do sector automóvel está a concluir o projecto de ampliação da sua fábrica de Viana do Castelo, que permitirá a duplicação da capacidade de produção, passando a facturar cerca de 50 milhões de euros, e criar 250 postos de trabalho.


A farmacêutica coimbrã está a investir 15 milhões de euros na construção de uma nova fábrica, que vai criar 100 empregos, e prevê aplicar outro tanto na conversão da actual numa indústria 4.0. Contratou 33 pessoas desde Janeiro e irá recrutar mais 50 até Junho.


Há 90 anos, as autoridades da União Soviética ratificaram o Protocolo de Genebra, proibindo o uso de armas químicas e bacteriológicas em guerras. Contudo, a produção destas armas não foi proibida. A partir de 1991, por todo o território das ex-repúblicas soviéticas começou a surgir um grande número de armazéns e fábricas químicas abandonadas.

Sobre uma fotografia da unidade de exploração de gás natural Bovanenkovo (Rússia), nas melhores fotos do ano 2016, segundo o National Geographic


A fotografia acima é uma das 52 fotos consideradas pelo National Geographic como melhores fotos do ano de 2016.  Foi tirada por Evgenia Arbugaeva, e integrou um artigo da referida revista que tem como título original "In the Arctic’s Cold Rush, There Are No Easy Profits" (algo como Na azáfama fria do Ártico, não há lucro fácil). A imagem remete para  para o campo de extração de gás natural de Bovanenkovo, situado na península de Yamal (Rússia), a qual fica a mais de 1900 km de Moscovo.

A operação neste local pode ocorrer sob condições térmica extremas, sobretudo durante o Inverno, quando a temperatura exterior pode situar-se nos -45ºC.

Península de Yamal (Rússia)



Sobre a dramática poluição da cidade de Dzerzhinsk (Rússia) devido à indústria química e ao colapso da União Soviética




Dzerzhinsk é o nome da uma cidade russa (que deve o seu nome ao antigo chefe da polícia soviética, Felix Dzerzhinsk), criada em 1929, e que dista cerca de 400 km de Moscovo.

A cidade chegou a ser considerada a segunda mais poluída do mundo (a primeira é Chernobyl), figurando agora no top 10 mundial, e infelizmente deve essa proeza ao mau acondicionamento de químicos produzidos entre as décadas de 1940 e 1960. De facto, mais de 1150 poluentes tóxicos foram identificados em Dzerzhinsk.


Inicialmente, a cidade esteve ligada à produção de esmalte, fósforo e gases tóxicos, tendo posteriormente mudado para a produção de químicos bélicos como ingredientes de gás mostarda (arsénio e cloro).

Devido à topografia do local, que é propícia à formação de lagoas, os resíduos industriais foram-se acumulando nesses recursos hídricos, o que levou à contaminação da água do subsolo ocupado pela cidade. Estima-se que cerca de 300 mil toneladas de produtos químicas tenham sido lançados nos recursos hídricos envolventes das fábricas aquando dos desmantelamento da União Soviética no entre 1980 e 1990, devido à falência e escassez de recursos para administrar devidamente os resíduos químicos.

Os 260 mil residentes de Dzerzhinsk apresentam uma expectativa de vida cerca de 20 anos inferior às dos concidadão russos de regiões não poluídas. Cerca de 25% da população tem a sua atividade laboral ligada à indústria química que produz compostos tóxicos.





Sobre a queda de lucros da Gazprom fruto da tensão política entre a Rússia e Ucrânia


A notícia que abaixo se transcreve ilustra bem que a indústria química não só participa activamente no desempenho económico de um estado, como pode servir, infelizmente, para a chantagem política com outras nações. A empresa em causa perde assim dinheiro ao ver-se instrumentalizada pelo poder político.

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"Os lucros da Gazprom afundaram 41% para seis mil milhões de dólares, entre janeiro e março, na primeira fase da crise na Ucrânia. Nessa altura, o gigante russo tinha reduzido os preços do gás a Kiev, em apoio ao então presidente Viktor Ianukovich.

Desde então, a situação degradou-se. Devido ao diferendo sobre os preços, Moscovo cortou o abastecimento a Kiev.

A empresa russa já contabilizou perdas de quase dois mil milhões de dólares relativos à uma parte da fatura que a Ucrânia não pagou.

Em pleno conflito do gás, a Polónia revela uma redução no abastecimento da Gazprom nos últimos dias, o que obrigou o país a aumentar as importações da Alemanha e República Checa.

O porta-voz da companhia polaca PGNIG, Rafal Pazura, revela: “Na quarta-feira a redução foi de 45% , segundo os dados fornecidos. É difícil apontar as razões, porque a Gazprom ainda não respondeu à nossa carta, não temos reações. Acreditamos que se deve apenas a problemas técnicos”.

A Eslováquia anuncia também uma redução, na ordem de 10%.

Em Bruxelas, com novas sanções a entrarem em vigor contra a Rússia, teme-se uma nova crise do gás, como já aconteceu no passado.

A Comissão Europeia afirma que vai tentar apurar as razões da queda no abastecimento à Polónia.

A porta-voz Marlene Holzner revelou ainda que está prevista uma nova reunião para discutir o assunto: “Fomos de facto informados pelas autoridades polacas de que há uma redução do fluxo de gás da Rússia. Nas discussões gerais sobre o diferendo do gás, propusemos uma nova data para uma reunião tripartida: os parceiros russos, os ucranianos e nós. Será a 20 de setembro em Berlim”.


A Gazprom nega qualquer queda nas exportações, mas tinha ameaçado reduzir o abastecimento aos países europeus que revendessem gás à Ucrânia. É o caso da Polónia e da Eslováquia."

Fonte: Euronews


Sobre os avanços e recuos no gasoduto South Stream, um projecto de 40 mil milhões de dólares





"A Rússia diz-se disposta a retomar as negociações com a União Europeia sobre a construção do gasoduto South Stream. Quem o disse foi o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, durante a visita à Bulgária na segunda-feira.

O Governo búlgaro foi forçado a suspender a construção do gasoduto sob as ameaças de punição de Bruxelas, que considera que o projeto não cumpre as regras da União Europeia.

(...)
Moscovo acusou a União Europeia de exercer pressão sobre alguns dos seus parceiros na construção do gasoduto. O projeto de 40 mil milhões de dólares servirá para transportar gás para a Europa Central, através do Mar Negro, sem passar pela Ucrânia, país com o qual a Rússia está em conflito."

Fonte: Euronews


Sobre o impacto do conflito Rússia-Ucrânia, no preço de fornecimento de gás natural




"A questão do gás é mais uma das preocupações da Ucrânia. A dependência da Rússia é grande e, ainda que os preços fossem já por si elevados, Moscovo já avisou que o desconto que fazia, como contrapartida pela utilização da base naval de Sebastopol, na Crimeia, acabou.

Kiev pondera soluções e uma das possibilidades é a importação de gás russo aos Estados-membros da União Europeia, como explica Alexander Duleba, da Associação eslovaca dos negócios estrangeiros.

“Hoje, há uma série de opções para obter levar o gás até à Alemanha apartir de qualquer lugar do mundo, depois passa pela Eslaváquia e segue para a Ucrânia. Tudo depende apenas do preço.”

Logisticamente, são precisas alterações, ao sistema de fornecimento, que custam dinheiro, Kiev espera que a União Europeia ajude o país a resolver o problema mas há quem coloque questões, como o Primeiro-ministro da Eslováquia:

“Eu acho que a Ucrânia não deve receber gás sem pagar. Ninguém vai aceitar que a Ucrânia não pague o transporte do gás. É necessário construir uma estação de medição. É um investimento que ronda os vinte milhões de euros.”

O preço pago por Kiev à Gazprom tinha já aumentado, em dezembro, de 280 para 380 dólares, com o fim de um desconto concedido a Ianukovich. Segundo a imprensa russa a anulação do segundo acordo pode elevar o preço para os 480, o mais elevado cobrado na Europa."

Fonte: Euronews

Sobre o mercado laboral na indústria química de 7 países, no período 2007-2010

Alguns dados estatísticos acerca do mercado de trabalho em indústria química, de 7 países (Brasil, Portugal, China, Rússia, Japão, Índia e Alemanha), no período 2007-2010.

O gráfico permite perceber a dimensão absoluta do mercado de trabalho destes países, e também o modo como a crise económica tem vindo a afectar esta indústria.





Sobre a suspensão de importação de gás russo por parte da Ucrânia



"As ações da Gazprom, o gigante energético russo, estavam esta segunda-feira (11/11/2013) em forte queda, com a notícia de que a Ucrânia suspendeu as importações de gás da Rússia. Segundo fontes da companhia pública russa, a suspensão terá entrado em vigor no dia 8 de novembro, após semanas de redução.

Na origem está um diferendo sobre os preços. A companhia ucraniana Naftogaz pagou em outubro cerca de 410 dólares por mil metros cúbicos. É um dos preços mais elevados da Europa. Além disso, a Gazprom exige a Kiev um pagamento prévio do gás, devido a dívidas precedentes.

Este novo diferendo surge a poucas semanas da Ucrânia poder assinar um acordo de Associação e Livre comércio com a União Europeia e faz temer uma nova “guerra do gás”, como em 2006 e 2009.

A Rússia garante que o abastecimento à Europa, através da Ucrânia, não está, por agora, a ser afetado."

Fonte: Euronews



Sobre o gás natural e a sua relevância na política internacional

Dois dos assuntos que o Blogue Engenharia Química tem acompanhado são o enorme impacto que a exploração de gás de xisto tem vindo a provocar no universo da indústria química mundial em virtude da substancial queda do preço do gás natural norte-americano (e consequentes ganhos de competitividade das operações industriais realizadas nessa economia), mas também os avanços observados na exploração de gás natural offshore, os quais têm alargado a rede de fornecimento deste produto por via do transporte marítimo.

*     *     *





Tudo o que diga respeito a gás natural afecta a indústria química de modo transversal porque esta energia (e o seu custo) constitui uma variável universal a qualquer empresa dos setor, nem que pela via indireta, isto é, através dos preços a que se adquirem produtos refinados ou sintetizados por outras empresas de que se dependa.

Alterações na oferta de gás natural afectam o desempenho económico dos muitos países com economias muito suportadas em venda de produtos petrolíferos, levando o tema a patamares que ultrapassam o domínio técnico e económico da engenharia química, nomeadamente constituindo matéria de política internacional,  já que enfraquece ou fortifica a posição de uns Estados em detrimento de outros. A este respeito:

"A revolução do gás de xisto reduziu o preço do gás americano em 70%. É provável que a Europa siga as mesmas pisadas, e o receio de depender da Rússia serviu de alavanca a vultuosos investimentos em liquidificação de gás natural e gasodutos alternativos.

O valor da Gazprom [empresa russa] passou de 270,3 mil milhões de euros em 2007 para 57.8 mil milhões de euros hoje em dia: o volume de negócios cai 10% ao ano." [1]

Neste pequeno trecho encontramos todo um panorama que envolve 3 regiões muito importantes na equação da energia mundial: os EUA, altamente motivados para a revitalização industrial dentro de portas, a Rússia, que já usou o gás natural como arma de arremesso e chantagem política, e que tem fracassado na conservação desse poder,  e a Europa, que regista perdas de competitividade no custo da energia, e não pretende ficar depedente nem dos preços nem da vontade da Rússia no abastecimento de gás natural.

Sobre a liderança dos EUA, em 2013, na produção de petróleo



De acordo com a consultora PIRA Energy, os EUA liderarão em 2013 o fornecimento de petróleo, catalputando-se para a liderança devido ao contributo do petróleo contido em jazidas de xisto.

Esta expectável promoção levará os EUA a ultrapassar a Arábia Saudita em cerca de 0.3 milhões de barris por dia (MMB/D), e a Rússia em cerca de 1.6 MMB/D.

No final de 2013, o petróleo de proveniência xistosa representará 33% do total de crude produzido pelos EUA, e cerca de 50% do total de gás natural.

Sobre a crise da indústria química na Rússia com o fim de subsídios estatais



"A indústria química russa encontra-se no limiar de uma crise séria relacionada como o fim de subsídios estatais de fomento à produção interna, medida que se encontra dentro das premissas de adesão à Organização Mundial do Comércio (OMC).

De acordo com o ministro da indústria e negócios russo, George Kalamanov, esta medida ameaça cerca de 600 empresas de pequena e média dimensão. A União Russa de Químicos está naturalmente preocupada, sobretudo tendo em vista que a Rússia tem um território vasto e que o transporte de produtos químicos através de caminhos férreos se torna muito dispendioso na ausência de apoios do Estado.

Apesar da riqueza em recursos, a Rússia representa apenas 1% da produção mundial de químicos, com uma produção per capita avaliada em 4.6 kg, contra a média 30kg per capita na média mundial."

Sobre o papel da ex-URSS no mercado petrolífero mundial


"Os países da ex-URSS, cujo colapso esteve tão ligado directa ou indirectamente ao declínio produtivo da sua ineficiente indústria petrolífera, têm vindo a afirmar-se como pólos de indústrias em forte crescimento (...) incluindo a afirmação das suas próprias companhias, como é o caso actual das companhias russas Lukoil, Gazprom e Rosneft.
A Rússia, segundo maior produtor petrolífero e o maior produtor de gás, com as maiores reservas de gás do Mundo, possui um potencial enorme, com acesso directo aos grandes mercados europeus e chinês.
Fonte: O universo da Indústria Petrolífera - Da Pesquisa à Refinação, dos autores Jorge Salgado Gomes e Fernando Barata Alves.

Clique nas imagens abaixo para conhecer melhor cada uma das 3 empresas russas referidas no trecho do livro:



Sobre a indústria química mundial à luz do ILO Meeting 2011


No âmbito da conferência do International Labour Organization 2011 , organismo que centra a sua actividade na observação dos padrões laborais, foi elaborado um relatório cujas conclusões no âmbito da indústria química passo a realçar:

+ Em 2009 as vendas de produtos químicos atingiram 2 700 mil milhões de dólares.

+ Estima-se que, na actualidade, existam 20 milhões de pessoas a trabalhar na indústria química, farmacêutica, da borracha e pneus, mundialmente.

+ Entre 1987 e 2009, o mercado de trabalho afecto à indústria química concentrou-se em poucos países. São eles os 27 estados membros da União Europeia, o Brasil, a China, a Índia, o Japão, o México, a República da Coreia, a Federação Russa os Estados Unidos. Juntos, estes países representam cerca de 60% do emprego nesta indústria.

+ O emprego na indústria química encontra-se em rápido crescimento nos países asiáticos, particularmente na China e na Índia. No fim de 2008, o número de trabalhadores na indústria química chinesa superava os 4.5 milhões de pessoas. Na Índia, rondava de 2.2 milhões de pessoas.

+ A respeito de condições de trabalho, o relatório regista que na indústria química trabalha-se em média mais horas do que as prevista na lei (40 horas semanais). Em alguns países, o período de trabalho dos operários da produção pode ascender a 50 horas semanais.

+ Como grande desafio da indústria química nos últimos anos, identifica-se no relatório uma escassez de trabalhadores e cientistas especializados. Este facto tem promovido a imigração de trabalhadores.

Fonte: Media Newswire

Sobre o top 20 de nações na investigação química, 2000-2010

O portal ScienceWatch  produziu uma listagem das 20 nações com mais impacto na investigação química ao longo da década 2000-2010. O trabalho baseou-se em indicadores de desempenho que abrangeram 10 milhões de artigos, referentes a 11 mil jornais científicos do ramo, bem como a respectiva rede de citações dos autores em termos da sua nacionalidade.
Numa primeira leitura, podemos alinhar os países por volume de citações, isto é, pela quantidade de vezes (absoluta) que foram citados autores de determinado país. Se o fizermos, ficamos a saber que os EUA foram indiscutivelmente a nação mais citada na última década, seguido à distância por um grupo de 3 nações: Japão, Alemanha  e China, por esta ordem, já que nem as três juntos conseguiriam roubar o 1º posto aos norte-americanos. De registar a presença do Brasil na 20º posição neste grupo, com um volume de citações próximo dos da Bélgica ou Taiwan.
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Todavia, importa ir mais longe e analisar o desempenho dos países anulando as naturais diferenças de dimensão dos pólos universitários e centros de investigação, ou seja, descontando-se a vantagem de certos países devido a terem uma população de investigadores superior. Neste sentido, a figura abaixo apresenta a listagem dos mesmos países (na mesma ordem em que aparecem no gráfico acima) mas desta feita é apresentada a razão entre o número de citações e a quantidade de publicações alcançadas.
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Embora permaneçam em 1º lugar, os EUA partilham o melhor desempenho com a Holanda e são seguidos de muito perto pela Suiça. Países como o Japão, Alemanha e China revelam rácios nivelados com a média. O Brasil sobe algumas posições e deixa o último lugar desta lista.
Estes resultados desde logo põem a nu o dilema interessante da quantidade versus qualidade, visto que países como a Suiça ou a Holanda, cuja produção em quantidade é modesta face a EUA, Alemanha ou China, acabam por ter trabalhos mais citados e como tal mais valorizados.

Sobre o ácido sulfúrico

O ácido sulfúrico é uma substância de elevada viscosidade, cujo aspecto oleoso lhe mereceu o nome de óleo de vitriol, por parte do seu mais provável descobridor, o pai da alquimia árabe, Jābir ibn Hayyān ou Geber.

Este ácido inorgânico, descoberto por um alquimista no século VIII, é actualmente o produto químico mais produzido no mundo (em termos de massa, em número de moléculas perde para a amónia). Practicamente todos os produtos manufacturados entraram em contacto com H2SO4 em algum estágio da sua produção a tal ponto que até há bem pouco tempo o grau de industrialização de um país era medido pela produção anual de ácido sulfúrico.

Hoje em dia, a principal utilização de ácido sulfúrico é a produção de fertilizantes, dado que foi progressivamente substituído na produção de aço por outro ácido mineral descoberto por Geber, o ácido clorídrico. A produção de ácido sulfúrico passou a ser uma medida da actividade agrícola de um país.

A produção de fertilizantes à base de fosfato, especialmente o processo envolvendo ácido fosfórico, representa o maior mercado para o ácido sulfúrico, tendo representado, no ano de 2008, cerca de 53% do consumo total desse composto.

O consumo de ácido sulfúrico cresceu cerca de 25% de 1990 a 2008.

O mercado asiático representou em 2008, 28% do consumo mundial, seguido dos Estados Unidos, com 19%. O continente africano representou 10%. Os países da antiga União Soviética, América Central e do Sul bem como do Oeste Europeu, são também grandes consumidores, cada um representando 6 a 8% do consumo mundial

Devido à crise internacional, a primavera de 2009, veio revelar o surgimento de um excedente de produção em praticamente todas as regiões.

FONTES: i) Boletim Química - Sociedade Portuguesa da Química; ii) SRI Consulting CEH Report Sulfuric Acid


Sobre a Engenharia Química na Rússia

Pese embora o grande ênfase dado ao florescimento da engenharia química em território norte-americano, importa notar que várias nações foram aderindo progressivamente a esta área.

A indústria química do período da Rússia Czarista, por exemplo, estava muito atrasada tanto em termos de quantidade de produção como em termos técnicos.

Para que se possa compreender este desfasamento, em 1913, a produção de ácido sulfúrico na Rússia era 14 vezes inferior à dos EUA e 10 vezes inferior à da Alemanha.

Contudo, por volta de 1932 haviam já indícios de recuperação desse atraso, de que é exemplo o pioneirismo deste país na produção de borracha sintética, a qual só em 1937 foi dominada na Alemanha e apenas em 1942 nos EUA.

Por volta do ano de 1940, a produtividade da indústria química na URSS havia conseguido um aumento de 15 vezes relativamente ao que se verificava em 1928.

Já em 1977, as principais direcções apontadas para o aprimoramento da Engenharia Química na União Soviética passavam por:
a) Aumento da produtividade e intensificação da operação de equipamentos;
b) Mecanização das operações realizadas;
c) Automação e controlo centralizado dos processos;
d) Substituição de processos por partidas (batch) por processos contínuos;

O aumento de produtividade, entendido como o aumento da quantidade de produto frabricado por unidade de tempo, constituia o objectivo mais importante.



Para melhor ilustrar aquilo que foi o percurso da URSS em termos de crescimento no ramo da engenharia química, apresenta-se de seguida um registo da evolução da produção de alguns produtos importantes nesse país desde 1940 até 1975.

(clique para ampliar)


Em primeiro lugar, é notório o crescimento da quantidade total produzida, a qual, em 1975 subira mais de 16 vezes face ao que era verificado em 1940.

Depois, é de salientar o colossal aumento da produção de fertilizantes assim de como do aumento também ele significativo da produção de ácido sulfúrico. O conjunto destes dois produtos em muito justifica a multiplicação por 16 da capacidade de produção.

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