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Sobre a startup NBP Nanotechnologies, o investimento de 8 milhões dólares da BASF, e tecnologias de superfície inspiradas no Besouro-da-Namíbia



No seguimento da recente publicação Sobre a Web Summit 2017, a concentração de mediatismo tecnológico no setor do IT, e três empresas unicórnio ligadas à engª química, em que se salientou a necessidade de fazer a cobertura a startups e novas empresas de outras áreas que não as tecnologias de informação (e com destaque para engenharia química), esta publicação reflete a oportuna notícia que dá conta do investimento de 8 milhões de dólares de capital de risco da gigante alemã  BASF na empresa norte-americana NBP Nanotechnologies, fundada em 2012, e sediada em Brighton (Massachusetts).

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  • Sobre a NBP Nanotechnologies:
Besouro-da-Namíbia


NBD significa "Namib Beetle Design", pois a empresa foi inspirada pelo "Besouro-da-Namíbia", um inseto capaz de "colher" a neblina do deserto alternando entre regime hidrofóbico e hidrofílico na sua carapaça/costas. Este inseto evoluiu no sentido de acumular 12% de seu peso na forma de água através do domínio da molhabilidade da superfície da sua carapaça. 

Com o mesmo espírito, a NBD assegura controlar a molhabilidade de superfícies para resolver uma ampla gama de problemas comerciais. A empresa afirma possuir uma habilidade sem precedentes para personalizar a molhabilidade de líquidos através de integração direta em polímeros ou através a deposição de monocamadas. A NBD afirma ainda ser capaz de trabalhar com praticamente qualquer substrato.



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  • O que pensam os investidores:
"As soluções da NBD Nanotechnologies permitem uma enorme variedade de aplicações em produtos eletrónicos, bens de consumo e automotivos", refere Markus Solibieda, diretor administrativo da BASF Venture Capital. "Além disso, a plataforma tecnológica da empresa oferece uma base sólida para futuras inovações".

As ofertas de produtos da NBD Nano incluem os aditivos plásticos RepelShell que permitem que qualquer resina plástica se torne mais repelente do que as principais tecnologias de fluoropolímero, e  os revestimentos InvisiPrint, que reduzem significativamente a visibilidade das impressões digitais numa variedade de superfícies.

Fonte: NBP Nanotechnologies

Sobre os resultados do 1º inquérito do BEQ aos seus leitores: visões e sugestões sobre a imagem da engª química na sociedade





No período compreendido entre 18 de Setembro de 2017 e 30 de Outubro de 2017, o BEQ promoveu o 1º inquérito aos seus leitores, o qual compreendeu um conjunto de 6 questões anónimas sobre o tema da engenharia química, focado nas questões do emprego e da visibilidade pública da profissão. Com base nesta estrutura, decidiu-se dividir em duas publicações os resultados obtidos sendo esta a segunda delas, dedicada ao tema da visibilidade da profissão na sociedade. Veja o primeiro post aqui.

Foram questionados, por via digital, um total de 102 profissionais ou estudantes de engenharia química, dos quais 100 respostas foram consideradas válidas. A amostra compreendeu a seguinte distribuição geográfica: 73% dos inquiridos fez/faz os seus estudos superiores em Portugal, 26% no Brasil, e 1% em Moçambique. Do mesmo conjunto de inquiridos, 26% ainda era, à data da realização do inquérito, estudante de engª química; 13% tinha concluído os estudos há menos de 1 ano; 31% concluíra há 1 a 5 anos atrás; 20% concluíra há 6 a 10 anos atrás, e 10% concluíra os estudos há mais de 10 anos.

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  • Como avalia a visibilidade da profissão Engª Química na sociedade?
Quando questionados sobre a visibilidade da profissão na sociedade, apenas 12% dos inquiridos revelou não ter opinião formada sobre o assunto. Do total de inquiridos, 25% afirmou que a visibilidade é suficiente, e apenas uma fração de 2% considera mesmo que a profissão tem uma visibilidade excessiva.

Porém, a resposta mais escolhida pelos inquiridos é a de que a visibilidade da engenharia química é insuficiente (55%) ou mesmo muito insuficiente (6%). Existe portanto uma clara maioria a acreditar que a profissão deveria ter mais visibilidade na lusofonia.



  • Que sugestões faria aos responsáveis pela Engª Química do seu país para que esta melhorasse e pudesse ter mais prestígio ou importância no contexto nacional?


           GERAL:
- Apostar na divulgação junto da comunidades estudantil, urbana, universitária e industrial.
- Desmistificar a Eng. Química, dando a conhecer o seu papel na sociedade e nas empresas.
- Realizar palestras, tais como sobre o trabalho/posição de um Engº Químico em Portugal ou no Brasil.
- Criar mais fóruns para que os profissionais partilharem as suas queixas, sugestões e ideias.
- Dar mais destaque a empresas pequenas e/ou familiares.
- Ajudar a integrar as ferramentas tecnológicas na química (Ex.: formações de Excel, Aspen Hysys, ferramentas de gestão industrial, etc.

           UNIVERSIDADE:
- Adaptar o plano curricular às necessidades atuais da indústria.
- Maior diálogo entre indústria e universidade; 
- Promover estágios curriculares no âmbito da própria formação universitária.
- Criação de casos de estudo reais e mais visitas a empresas;


           INDÚSTRIA:
- Maior diálogo entre indústria e universidade.
- Criação de mais estágios de verão (ou de curta duração) para estudantes de engenharia química.
- Combater a prática de colocar o engenheiro químico em funções de técnico.
- Maior divulgação de projetos de redução de impacto ambiental, otimização (deixando explicito a redução de desperdícios/consumos atingidos) de modo a mitigar a "má imagem" da indústria.

           GOVERNO:
- Criar um enquadramento legal que obrigue a sua prática exclusivamente por engenheiros habilitados com cédula profissional conferida pela Ordem dos Engenheiros.
- Estimular a produção industrial (por parte do governo).
- Maior aposta na indústrias química, petroquímica e/ou outras.

Amostra = 47 inquiridos

Sobre a Web Summit 2017, a concentração de mediatismo tecnológico no setor do IT, e três empresas unicórnio ligadas à engª química

Com a Web Summit a decorrer pelo segundo ano consecutivo em Lisboa (Portugal), essa que é uma incontornável conferência anual de tecnologia que reúne os principais e mais ativos candidatos e agentes de inovação e disrupção, importa frisar que o termo "tecnologia" é grande e genérico demais para se cingir ao setor do IT,  e que há startups e inovação noutros setores tão ou mais importantes que este.

Porém, quando analisamos as startups mais bem sucedidas da atualidade, isto é, aquelas que chegaram ao estatuto de empresas unicórnio (startups tecnológicas avaliadas em mais de mil milhões de dólares), verificamos que a presença direta de engenharia química é escassa. As tecnologias de informação dominam por completo na forma das mais variadas plataformas de prestação de serviços ou na forma da infraestrutura física (dispositivos, equipamento) que permita algum tipo de progresso tecnológico tido como promissor.

Isto leva-nos à seguinte questão: está a engenharia química na órbita direta da inovação tecnológica mediática e aliciante ao nível do financiamento ou aquilo que se chama de "inovação tecnológica" é, na verdade, a inovação e disrupção de alguns setores tecnológicos em específico?




Olhando com cuidado, o clube das empresas unicórnio contempla alguns projetos empresariais mais próximos da engenharia química, mas estes são manisfestamente poucos.

Em todo o caso, vale a pena citar três empresas que figura nessa lista:


A Bloom Energy desenvolveu um revolucionário sistema de geração de energia primária chamado Bloom Energy Server com base numa tecnologia exclusiva  de células de combustível que fornece uma alternativa mais confiável, mais limpa e económica à rede elétrica tradicional. Esta solução é projetada para ajudar as empresas a tornarem-se mais resilientes e menos dependentes da incerteza da abastecimento da rede elétrica tradicional. A tecnologia da Bloom Energy, desenvolvida primeiramente para o Programa Marte da NASA, figura entre as soluções de geração de energia mais eficientes do planeta, proporcionando custos operacionais significativamente reduzidos e garantindo emissões de gases de efeito estufa drasticamente menores.




ReNew Power Ventures Pvt. Ltd. é um produtor de energia limpa independente com cerca de 3000 MW de ativos de energia limpa comissionados e em construção. A empresa cria valor pela geração confiável e eficiente de energia não convencional através da inovação em soluções de energia eólica e solar. Mantendo esta perspetiva em vista, a ReNew Power recentemente estabeleceu uma parceria com a IBM para incrementar a sua inovadora proficiência tecnológica .






Promasidor é um grupo com sede na África do Sul que fabrica e fornece bebidas em pó, condimentos saborosos, leite em pó, cereais e outros produtos alimentares em 36 países por toda a África. Uma das inovações da empresa foi a substituição de gordura animal por gordura vegetal em produtos lácteos para lhes proporcionar uma vida útil mais longa, diminuindo assim a dependência de uma cadeia de abastecimento de frio. As crianças africanas colocam o leite em pó diretamente nas suas línguas, e assim superam os obstáculos relacionados com a falta de água potável.


Sobre os resultados do 1º inquérito do BEQ aos seus leitores: emprego mais desejado vs. emprego mais popular



No período compreendido entre 18 de Setembro de 2017 e 30 de Outubro de 2017, o BEQ promoveu o 1º inquérito aos seus leitores, o qual compreendeu um conjunto de 6 questões anónimas sobre o tema da engenharia química, focado nas questões do emprego e da visibilidade pública da profissão. Com base nesta estrutura, decidiu-se dividir em duas publicações os resultados obtidos sendo esta a primeira delas, dedicada ao tema do emprego. Veja a segunda publicação aqui.

Foram questionados, por via digital, um total de 102 profissionais ou estudantes de engenharia química, dos quais 100 respostas foram consideradas válidas. A amostra compreendeu a seguinte distribuição geográfica: 73% dos inquiridos fez/faz os seus estudos superiores em Portugal, 26% no Brasil, e 1% em Moçambique. Do mesmo conjunto de inquiridos, 26% ainda era, à data da realização do inquérito, estudante de engª química; 13% tinha concluído os estudos há menos de 1 ano; 31% concluíra há 1 a 5 anos atrás; 20% concluíra há 6 a 10 anos atrás, e 10% concluíra os estudos há mais de 10 anos.


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  • Que tipo de atividades/funções profissionais gostaria de desempenhar?
Quando questionados sobre a atividade profissional que mais gostariam de desempenhar, e dando apenas opção de escolha de uma categoria, dois terços dos inquiridos optou por uma de três opções:  (i) controlo de processos, 28% dos casos; (ii) engenharia de produto, 20%; (iii) projeto de engenharia, 19%. A quarta opção mais votada foi a de investigação científica, que somou 13% das respostas. 

Um conjunto de atividades/funções profissionais revelou fraca preferência por parte dos inquiridos, sendo elas: empreendedor (7%), certificação e auditoria (4%), consultoria (5%). A categoria "Outro", que permitia resposta aberta foi escolhida em 4% dos casos, tendo sido reportadas as seguintes funções: Perícia Criminal, Assuntos Regulatórios, e Controlo de qualidade.

Um resultado considerado importante nos resultados obtidos nesta questão, compreende o facto de 0% dos inquiridos ter identificado as funções de Comercial/Venda de produtos químicos como sendo da sua preferência.

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  • Conhece pessoalmente engº químicos com as funções/atividades profissionais abaixo? (Marque se conhece pelo menos um)
Quando questionados sobre as funções/atividades profissionais dos elementos da sua rede de contactos, os resultados produzidos permitem estimar que tipos de funções desempenhadas por engº químicos são mais populares no universo da lusofonia.

A este respeito, duas funções saltam de imediato à vista, sendo elas a investigação científica (referida por três quartos dos inquiridos) e o controlo de processos (referido por dois terços dos inquiridos). Numa segunda linha de popularidade, todas pontuando entre 40 e 50%, surgem as funções de engenharia do produto, projeto de engenharia, e comercial/venda de produtos de químicos.

Finalmente, as atividades profissionais de empreendedor, certificação e auditoria, e consultor, foram referidas em apenas 20-30% dos casos.

Entre outras conclusões possíveis, estes resultados evidenciam um desfasamento entre a baixa preferência das funções de comercial/vendas e investigação científica, e elevada popularidade destas duas profissões, no contexto da lusofonia. Neste domínio, as funções de controlo de processos, projeto de engenharia química, e engenharia de produto parecem exibir uma maior correspondência entre preferência dos inquiridos e popularidade reconhecida pelos mesmos.

Sobre o "Vale da Cosmética" (França), e a liderança mundial de França na indústria de cosmética/perfumaria



Por trás da fama mundial que coloca a França em estreita ligação aos cosméticos/perfumaria, a indústria francesa de cosméticos de perfumaria é considerada um património cultural desse país, assente numa liderança tecnológica no setor e nas fortes competências de marketing.

De facto, a balança comercial do setor é muito positiva, traduzindo-se numa posição de mercado dominante com 25% do mercado global. Esta performance é mais do que evidente no setor de exportação, já que os cosméticos são a segunda maior exportação da França, e o segundo setor de maior superavit comercial (7,6 mil milhões de euros em 2010).

E se o marketing deste setor dá grande enfoque a Paris enquanto capital cultural, a política de descentralização da década de 1970 incentivou os principais perfumistas a sair da região parisiense e a instalar-se numa região atualmente conhecida como o Vale da Cosmética (Cosmetic Valley).Um grande número decidiu estabelecer a produção ao sul da Ile-de-France:

- em Chartres (Eure-et-Loir), como é o caso da Guerlain, Coty-Lancaster e Paco Rabanne;
- em Orléans (Loiret), como é o caso da Dior e LVMH Recherche (Guerlain, Givenchy, Kenzo);
- em Val de Rueil (Eure), como é o caso da Hermès e Johnson & Johnson (Roc, Neutrogena)
- em Blois (Loir-et-Cher), como é o caso da Sisley, e Procter & Gamble (Head & Shoulders, Herbal Essence).


A presença desses gigantes industriais têm encorajado inúmeras PMEs a instalarem-se na região. Estas propõe-se a produzir/prestar serviços nas seguintes categorias:

- Materiais primários: óleos essenciais, materiais primários aromáticos, princípios ativos,etc;
- Embalagem: injeção de plástico, produção de vidro, etc;
- Fabricantes, condicionadores e formuladores de produtos cosméticos;
- Laboratórios de controle;

No cômputo geral, os indicadores da 'Cosmetic Valley' são impressionantes:
- 800 empresas presentes na região;
- 90 mil funcionários;
- 26 mil milhões de euros de volume de negócios;

- 175 projetos de investigação e desenvolvimento, no valor de 280 milhões de euros.
- 8 universidades.
- 226 laboratórios públicos.
- 8200 investigadores (públicos e privados).



Sobre os actinómetros, dispositivos usados para medir a intensidade da radiação, e algumas aplicações dos mesmos


Um actinómetro é um dispositivo usado para medir a intensidade da radiação, como por exemplo a radiação solar.  O equipamento foi inventado por John Herschel em 1825, e funciona com base no princípio de que a taxa de conversão fotolítica de moléculas dentro de uma célula do actinómetro é igual à taxa de absorção de fotões no actinómetro. [1]

Na prática, consiste num sistema químico ou dispositivo físico que determina o número integral de fotões num feixe ou por unidade de tempo. O seu nome é comumente aplicado aos dispositivos usados para radiação compreendida nos intervalos de comprimento de onda ultravioleta e visível. As soluções de oxalato de ferro (III) podem ser usadas como actinómetro químico, enquanto que os bolômetros ou os fotodíodos são dispositivos físicos que dão uma leitura que pode ser correlacionada com o número de fotões detetados. [2]

Os actinómetros são utilizados principalmente na meteorologia para medir a radiação solar transmitida pelo sol, refletida pela Terra ou dispersa pela atmosfera. Eles são usados em experimentos fotoquímicos que envolvem geometria de irradiação complexa. Para que um actinómetro seja eficiente, o rendimento quântico deve ser independente de oxigénio, impurezas, temperatura e comprimento de onda de excitação. [1]

Ao nível da engenharia química, os actinómetros não são equipamentos correntes, mas estão muito presentes em trabalhos que incluam o uso de radiação UV, nomeadamente em reatores de descontaminação/tratamento de águas residuais.

Exemplos de investigação recorrendo a estes dispositivos/tecnologia:









Sobre a Análise de Ciclo de Vida como ferramenta de Engª do produto, e o exemplo da Procter & Gamble

"A Procter & Gamble (P&G) tem como objetivo integrar a sustentabilidade na sua estratégia. "Usamos imenso a Análise de Ciclo de Vida (LCA) no nosso programa de sustentabilidade", refere Len Sauers, vice-presidente para a sustentabilidade global da P&G. A empresa realizou uma extensiva quantidade de LCAs sobre o impacto da energia das suas linhas de produtos, desde fraldas descartáveis a shampôs. 

Os piores impactos tenderam a ocorrer não durante o transporte ou a extração das matérias-primas mas durante a fase em que os clientes usavam certos produtos. A grande vilã foi a necessidade (dos clientes) de aquecer água para usar detergentes de roupa. "Esse foi, de longe, o grande o contribuidor para a pegada energética da nossa empresa.", refere Sauers. Como resultado, a unidade de investigação e desenvolvimento da empresa devolveu o produto "Tide Cold Waters", um detergente de  roupa que permite que os clientes lavem a sua roupa sem ter de aquecer a água na máquina de lavar.

De acordo com Sauers, se todas as pessoas nos EUA se convertessem a este detergente, um poupança de 3% de toda a energia doméstica consumia neste país poderia ser conseguida (uma poupança na ordem de 90 mil milhões de kilowatt hora), bem como a não emissão para a atmosfera de 34 milhões de toneladas de dióxido de carbono (o equivalente a 8% da meta do acordo de Kyoto para os EUA)."

Fonte: Ecological Intelligence: How Knowing the Hidden Impacts of What We Buy Can Change Everything - Daniel Goleman

Sobre a relação entre as emissões de CO₂ e o produto interno bruto dos países, e a ponte entre a política económica e ambiental


" A relação entre o crescimento económico e as emissões de dióxido de carbono é considerada uma das relações empíricas mais importantes. No entanto, a análise causal económica rigorosa do tradeoff entre as emissões de dióxido de carbono (CO₂) e o crescimento económico para políticas credíveis de mudança climática ainda é limitada.

O aumento dos níveis de emissões de dióxido de carbono é considerada uma das principais causas do aquecimento global e da instabilidade climática. A este respeito, uma das questões mais importantes na literatura sobre economia de energia é focada principalmente no teste da relação entre o crescimento económico e as emissões de dióxido de carbono.

A emissão de CO₂ está diretamente ligada ao crescimento económico (...). A maioria das emissões de CO₂ vem do consumo de combustível gasoso / líquido / sólido, que é uma fonte essencial para o setor automóvel e industrial. Portanto, a relação inseparável entre as emissões de CO₂ e o crescimento económico atua como uma importante ponte entre a política económica e ambiental.






O crescimento económico dos países desenvolvidos impulsiona um uso intensivo de energia e, como resultado, mais resíduos são produção, podendo levar à degradação ambiental. A maioria das emissões de CO₂ provém do consumo de combustíveis fósseis, como o carvão, principal fonte de energia do setor automotivo (...). A direção da causalidade entre o crescimento económico, o consumo de eletricidade e as emissões de CO₂ torna-se importante para a implementação de políticas relacionadas.

Porém, (...) o contexto que rege as relações entre as emissões de dióxido de carbono (CO₂) e o produto interno bruto (PIB) muda ao longo do tempo devido a variações no crescimento económico, política regulatória e tecnologia. "


Fonte:Vladislav Marjanović, Miloš Milovančević, Igor Mladenović, Prediction of GDP growth rate based on carbon dioxide (CO₂) emissions, Journal of CO₂ Utilization, Volume 16, 2016, 212-217

Sobre a boa gestão da água dentro e na envolvência das unidades industriais, e o mediático caso/exemplo da Coca-Cola na Índia, em 2004



"Ao longo de 2004 e 2005, Kerala, um estado no sul da Índia, sofreu uma seca severa, traduzida por uma redução de 60% na precipitação anual. Como as colheitas falharam, pequenos agricultores sofreram uma epidemia de suicídios. Mas mesmo quando os aldeões ficaram sem água, a unidade de engarrafamento local da Coca-Cola perto da aldeia de Plachimada não sentiu qualquer problema, aumentando inclusive a produção. Com a fábrica a operar em plena capacidade, dos seus portões saíram até oitenta e cinco camiões de bebida diariamente, cada um carregando mais de dez mil garrafas.

Esta situação desencadeou um protesto junto da fábrica por parte de cidadãos locais (…). Por esse tempo, a fábrica tornou-se um ponto de inflamação popular, com os camiões vermelhos brilhantes a simbolizar a perda de água e a indiferença corporativa. A empresa Coca-Cola foi criticada na imprensa indiana, onde exemplificou o modo como as operações corporativas ajudavam a causar a desidratação crónica sofrida por milhões de indianos.

As decisões do conselho da aldeia local e dos tribunais de Kerala levaram ao encerramento da fábrica por 17 meses. As vendas caíram em toda a Índia. A empresa respondeu apontando que a fábrica de Coca-Cola extraía sua água de um aquífero profundo que, tecnicamente, não tinha relação imediata com a superfície que os agricultores locais usavam. (...) e prometeu passar a retornar mais água no aquífero local do que aquela que usava.

(...) A atitude da empresa em relação à gestão da água focava-se no desempenho operacional - tratamento de águas residuais e uso eficiente dentro da fábrica. Tipicamente ignorara não só de onde vinha a sua água, mas também a disponibilidade geral de água para a área local. Como Jeff Seabright, vice-presidente de ambiente e recursos hídricos da Coca-Cola, admite: "Funcionou como um verdadeiro despertador, que nos levou a começarmos a pensar para além das quatro paredes e a prestarmos atenção ao sistema maior".

Fonte: Ecological Intelligence: How Knowing the Hidden Impacts of What We Buy Can Change Everything - Daniel Goleman


Sobre a indústria química da Catalunha, e a sua importância económica para a região e para Espanha



A região da Catalunha, cuja reivindicação independentista tem sido notícia neste ano de 2017, tem na indústria química um dos principais setores da sua economia regional, a qual tem simultaneamente grande importância a nível nacional (Espanha).

De acordo com dados do Governo da Catalunha relativos ao ano de 2015, existiam à data 748 empresas químicas na Catalunha, representando 2% da indústria catalã e 27,4% das empresas químicas em Espanha.

Esta indústria química regional apresentou um volume de negócios de mais de 16 mil milhões de euros no ano de 2014, correspondentes a 12,8% do volume de negócios industrial catalão, e a 42,6% de todo o setor em Espanha.

Relativamente ao emprego, e baseado em dados de 2016, o setor químico da Catalunha empregava diretamente mais de 32 mil pessoas nesse ano, representando estes dvalores 8% da indústria catalã e 37,1% de todo o setor químico em Espanha.

Ao longo da década 2006-2016, as exportações catalãs de produtos químicos representaram 16,7% das exportações da indústria desta região e 50% das exportações de produtos químicos na Espanha. 

No mesmo período, a indústria química catalã teve investimentos em investigação e desenvolvimento (R&D) na ordem de € 108 milhões de euros.

Mais de 200 empresas químicas internacionais estão instaladas na Catalunha. Estas estão especialmente concentradas em Tarragona, que constitui um dos maiores pólos químicos da Europa. A alta concentração de empresas químicas facilita as sinergias entre os diferentes produtores, quer em termos de abastecimento de matérias-primas como de produtos, mas também no aproveitamento de subprodutos ou resíduos para uma economia circular.


Distribuição de empresas químicas espanholas e 
internacionais na região de Tarragona.

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