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Sobre a Análise de Ciclo de Vida como ferramenta de Engª do produto, e o exemplo da Procter & Gamble

"A Procter & Gamble (P&G) tem como objetivo integrar a sustentabilidade na sua estratégia. "Usamos imenso a Análise de Ciclo de Vida (LCA) no nosso programa de sustentabilidade", refere Len Sauers, vice-presidente para a sustentabilidade global da P&G. A empresa realizou uma extensiva quantidade de LCAs sobre o impacto da energia das suas linhas de produtos, desde fraldas descartáveis a shampôs. 

Os piores impactos tenderam a ocorrer não durante o transporte ou a extração das matérias-primas mas durante a fase em que os clientes usavam certos produtos. A grande vilã foi a necessidade (dos clientes) de aquecer água para usar detergentes de roupa. "Esse foi, de longe, o grande o contribuidor para a pegada energética da nossa empresa.", refere Sauers. Como resultado, a unidade de investigação e desenvolvimento da empresa devolveu o produto "Tide Cold Waters", um detergente de  roupa que permite que os clientes lavem a sua roupa sem ter de aquecer a água na máquina de lavar.

De acordo com Sauers, se todas as pessoas nos EUA se convertessem a este detergente, um poupança de 3% de toda a energia doméstica consumia neste país poderia ser conseguida (uma poupança na ordem de 90 mil milhões de kilowatt hora), bem como a não emissão para a atmosfera de 34 milhões de toneladas de dióxido de carbono (o equivalente a 8% da meta do acordo de Kyoto para os EUA)."

Fonte: Ecological Intelligence: How Knowing the Hidden Impacts of What We Buy Can Change Everything - Daniel Goleman

Sobre a relação entre as emissões de CO₂ e o produto interno bruto dos países, e a ponte entre a política económica e ambiental


" A relação entre o crescimento económico e as emissões de dióxido de carbono é considerada uma das relações empíricas mais importantes. No entanto, a análise causal económica rigorosa do tradeoff entre as emissões de dióxido de carbono (CO₂) e o crescimento económico para políticas credíveis de mudança climática ainda é limitada.

O aumento dos níveis de emissões de dióxido de carbono é considerada uma das principais causas do aquecimento global e da instabilidade climática. A este respeito, uma das questões mais importantes na literatura sobre economia de energia é focada principalmente no teste da relação entre o crescimento económico e as emissões de dióxido de carbono.

A emissão de CO₂ está diretamente ligada ao crescimento económico (...). A maioria das emissões de CO₂ vem do consumo de combustível gasoso / líquido / sólido, que é uma fonte essencial para o setor automóvel e industrial. Portanto, a relação inseparável entre as emissões de CO₂ e o crescimento económico atua como uma importante ponte entre a política económica e ambiental.






O crescimento económico dos países desenvolvidos impulsiona um uso intensivo de energia e, como resultado, mais resíduos são produção, podendo levar à degradação ambiental. A maioria das emissões de CO₂ provém do consumo de combustíveis fósseis, como o carvão, principal fonte de energia do setor automotivo (...). A direção da causalidade entre o crescimento económico, o consumo de eletricidade e as emissões de CO₂ torna-se importante para a implementação de políticas relacionadas.

Porém, (...) o contexto que rege as relações entre as emissões de dióxido de carbono (CO₂) e o produto interno bruto (PIB) muda ao longo do tempo devido a variações no crescimento económico, política regulatória e tecnologia. "


Fonte:Vladislav Marjanović, Miloš Milovančević, Igor Mladenović, Prediction of GDP growth rate based on carbon dioxide (CO₂) emissions, Journal of CO₂ Utilization, Volume 16, 2016, 212-217

Sobre a boa gestão da água dentro e na envolvência das unidades industriais, e o mediático caso/exemplo da Coca-Cola na Índia, em 2004



"Ao longo de 2004 e 2005, Kerala, um estado no sul da Índia, sofreu uma seca severa, traduzida por uma redução de 60% na precipitação anual. Como as colheitas falharam, pequenos agricultores sofreram uma epidemia de suicídios. Mas mesmo quando os aldeões ficaram sem água, a unidade de engarrafamento local da Coca-Cola perto da aldeia de Plachimada não sentiu qualquer problema, aumentando inclusive a produção. Com a fábrica a operar em plena capacidade, dos seus portões saíram até oitenta e cinco camiões de bebida diariamente, cada um carregando mais de dez mil garrafas.

Esta situação desencadeou um protesto junto da fábrica por parte de cidadãos locais (…). Por esse tempo, a fábrica tornou-se um ponto de inflamação popular, com os camiões vermelhos brilhantes a simbolizar a perda de água e a indiferença corporativa. A empresa Coca-Cola foi criticada na imprensa indiana, onde exemplificou o modo como as operações corporativas ajudavam a causar a desidratação crónica sofrida por milhões de indianos.

As decisões do conselho da aldeia local e dos tribunais de Kerala levaram ao encerramento da fábrica por 17 meses. As vendas caíram em toda a Índia. A empresa respondeu apontando que a fábrica de Coca-Cola extraía sua água de um aquífero profundo que, tecnicamente, não tinha relação imediata com a superfície que os agricultores locais usavam. (...) e prometeu passar a retornar mais água no aquífero local do que aquela que usava.

(...) A atitude da empresa em relação à gestão da água focava-se no desempenho operacional - tratamento de águas residuais e uso eficiente dentro da fábrica. Tipicamente ignorara não só de onde vinha a sua água, mas também a disponibilidade geral de água para a área local. Como Jeff Seabright, vice-presidente de ambiente e recursos hídricos da Coca-Cola, admite: "Funcionou como um verdadeiro despertador, que nos levou a começarmos a pensar para além das quatro paredes e a prestarmos atenção ao sistema maior".

Fonte: Ecological Intelligence: How Knowing the Hidden Impacts of What We Buy Can Change Everything - Daniel Goleman


Sobre a indústria química da Catalunha, e a sua importância económica para a região e para Espanha



A região da Catalunha, cuja reivindicação independentista tem sido notícia neste ano de 2017, tem na indústria química um dos principais setores da sua economia regional, a qual tem simultaneamente grande importância a nível nacional (Espanha).

De acordo com dados do Governo da Catalunha relativos ao ano de 2015, existiam à data 748 empresas químicas na Catalunha, representando 2% da indústria catalã e 27,4% das empresas químicas em Espanha.

Esta indústria química regional apresentou um volume de negócios de mais de 16 mil milhões de euros no ano de 2014, correspondentes a 12,8% do volume de negócios industrial catalão, e a 42,6% de todo o setor em Espanha.

Relativamente ao emprego, e baseado em dados de 2016, o setor químico da Catalunha empregava diretamente mais de 32 mil pessoas nesse ano, representando estes dvalores 8% da indústria catalã e 37,1% de todo o setor químico em Espanha.

Ao longo da década 2006-2016, as exportações catalãs de produtos químicos representaram 16,7% das exportações da indústria desta região e 50% das exportações de produtos químicos na Espanha. 

No mesmo período, a indústria química catalã teve investimentos em investigação e desenvolvimento (R&D) na ordem de € 108 milhões de euros.

Mais de 200 empresas químicas internacionais estão instaladas na Catalunha. Estas estão especialmente concentradas em Tarragona, que constitui um dos maiores pólos químicos da Europa. A alta concentração de empresas químicas facilita as sinergias entre os diferentes produtores, quer em termos de abastecimento de matérias-primas como de produtos, mas também no aproveitamento de subprodutos ou resíduos para uma economia circular.


Distribuição de empresas químicas espanholas e 
internacionais na região de Tarragona.

Sobre a valorização de resíduos de leguminosas (ervilhas, etc) para a produção de plástico biológico



A indústria alimentar europeia cria, todos os anos, toneladas e toneladas de resíduos de leguminosas, como ervilhas. A Euronews foi à cidade de Parma conhecer o projeto europeu de investigação Leguval, amigo do ambiente, que poderá vir a ser importante na produção sustentável de materiais essenciais no quotidiano.  Este tem como objetivo o desenvolvimento de um processo de extração de fibras e proteínas de leguminosas, as quais serão serão depois utilizadas como ingrediente para a produção do plástico biológico.

A pureza do produto é importante, especialmente no que diz respeito à proteína que foi extraída, porque permite melhorar as características do material, ou seja, do plástico biológico.

O produto poderá conter alguns resíduos, mas a verdade é que a percentagem de proteínas é muito elevada (cerca de 80%).

É em Radle ob Dravi (Eslovénia) que a Bokri, uma pequena empresa familiar, fabrica vasos ecológicos.

Os grãos de plástico biológico são utilizados na conceção dos vasos. A matéria encontra-se ainda em fase experimental e foi totalmente produzida na Eslovénia. Os grãos são, neste caso, fundidos, e depois injetados num molde. O resultado são vasos que podem fornecer nutrientes às plantas. São completamente biodegradáveis. Podem ser recilados em casa, no jardim ou no campo. Podem ainda ser utilizados como componente para a alimentação de animais numa quinta.

Ambos os projetos são fruto da investigação europeia. Agora, é preciso que o setor industrial aceite investir na produção em grande escala.

Fonte: Euronews


Sobre a triplicação da capacidade de produção da Sasol nos EUA, através da nova unidade de cracking etano no estado da Louisiana (EUA)




A Sasol está a construir um complexo petroquímico de escala mundial no sudoeste do estado da Louisiana, local onde já detém atualmente unidades industrias. O projeto triplicará a capacidade de produção química da empresa nos EUA.

No centro do projeto está um cracker de etano que produzirá 1,5 milhão de toneladas de etileno anualmente, beneficiando de economias de escala significativas. O complexo inclui também seis outras fábricas de produção química. Aproximadamente 90 por cento da produção de etileno do cracker serão convertidos em uma variedade de produtos de especialidade e produtos químicos especiais de alta margem, tais como aqueles indicados no esquema abaixo.

A nova unidade industrial arrancará operações em 2018.

Cadeia de valor da Sasol.

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Sobre a evaporação multi-efeito, e a economia de utilidades pela utilização de evaporadores em série



Fonte: GEA


"Quando um único evaporador é colocado em operação e os vapores que saem deste são condensados ​​e descartados, o método é conhecido como evaporação de um único efeito. A economia de um evaporador de efeito único é sempre inferior a um. Geralmente, para evaporação de 1 kg de água de uma solução, é necessário 1 a 1,3 kg de vapor.

O método de aumentar a evaporação por quilograma de vapor empregando uma série de evaporadores entre o fornecimento de vapor e o condensador é conhecido como evaporação de múltiplos efeitos (...). É uma maneira única de aumentar a economia de um sistema de evaporação.

Um sistema de evaporação de múltiplos efeitos é comumente usado em operações de grande escala. Em tal sistema, os evaporadores são dispostos em série de modo que o vapor de um evaporador seja usado como meio de calor para o próximo que está operando sob uma pressão e temperatura mais baixas. Cada unidade dessa série é chamada de "efeito". No caso de um evaporador de efeito triplo, se o primeiro efeito operar a pressão atmosférica, o segundo e o terceiro efeito funcionam sob vácuo. O vapor é alimentado ao primeiro efeito e o vapor do terceiro efeito é condensado em um condensador conectado a uma bomba de vácuo.

Com um sistema de evaporação de efeito múltiplo contendo efeitos N em série, é possível teoricamente evaporar N kg de água a partir de  kg de vapor inicial alimetnado ao primeiro efeito."

Fonte: Nirali Prakashan, Heat Transfer, 2008, 8ªEd, Nirali Prakashan, Maharashtra




Sobre a nova seção "Tendências de Mercado e Tecnológicas" do blogue, e a oportunidade de percecionar o rumo da engª química por essa perspetiva



O BEQ iniciou uma nova seção no blogue, designada "Tendências de Mercado e Tecnológicas".

Nela se compilarão dados sobre a procura e o valor de mercado mundial de diferentes aplicações, produtos, equipamentos e tecnologias. A seção apresenta ainda a previsão de evoluções dos mercados num horizonte temporal de curto/médio prazo.

Espera-se que tais informações possam contribuir para que os leitores compreendam a dimensão e tendência mundial da engenharia química, sugeridos pelas quantidades e valor económico dos diferentes produtos que são produzidos, e das tecnologias usadas para o fazer.

Sobre o professor Alírio Rodrigues na lista dos mais citados em Engª Química, segundo o Shanghai Academic Ranking of World Universities (2016)



Alírio Rodrigues, professor jubilado e até 2013 professor catedrático do Departamento de Engenharia Química da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), é o único investigador português e também o único de toda a comunidade lusófona, a figurar na lista dos 300 cientistas mais citados da área de Engª Química, no ano de 2016, publicada pelo Shanghai Academic Ranking of World Universities. Este ranking é baseado nos dados da plataforma Scopus, fornecendo uma medida da influência de cada investigador em termos de citações dos seus artigos científicos.

Do acordo com as suas estatísticas no Scopus, o professor Alírio Rodrigues é autor e coautor de 665 documentos (artigos, reviews, capítulos e em livro e atas de congresso), publicados num período temporal de 1974 a 2017. Estas publicações contam com mais de 16 mil citações, realizadas por mais de 9400 documentos. Finalmente, professor Alírio Rodrigues apresenta um índice-h de 60, o que significa que 60 das suas publicações têm pelo menos 60 citações cada.

Ao longo da sua extensa carreira, o professor Alírio Rodrigues desenvolveu trabalhos nas seguintes áreas:
  • Processos de adsorção e reação cíclica (destacando-se as tecnologias de PSA, SMB);
  • Intensificação de processos (também em SMB e PSA);
  • Valorização de lenhina;
  • Engenharia de perfumes e microencapsulamento.
No conjunto total das suas publicações o professor Alírio Rodrigues totaliza mais de 150 coautores, sendo de destacar o Dr. José Miguel Loureiro (docente de engª química na FEUP e investigador do LSRE) com 97 coautorias, o Dr. Carlos Grande (atualmente investigador no SINTEF - Noruega) com 66 coautorias, e a Dr. Ana Mafalda Ribeiro (investigadora no LSRE-LCM) com 56 coautorias.

As suas publicações foram realizadas num total de 145 revistas e livros diferentes, sendo de destacar os periódicos Industrial And Engineering Chemistry Research (94 documentos), Chemical Engineering Science (52 documentos), e o AiChe Journal (47 documentos).

Grande parte do trabalho realizado por este investigador teve como palco os laboratório do seu grupo de investigação, inicialmente designado LSRE em 1975/1977, e atualmente LSRE-LCM .

Sobre o processo Plantrose, da empresa Renmatix, e a odisseia industrial de implementar a biorefinaria com recurso a água/hidrólise supercrítica



Renmatix é uma empresa privada, com operações na Geórgia e na Pensilvânia (EUA), detentora de uma tecnologia que permite a produção de açúcares celulósicos de baixo custo a partir de biomassa não-alimentícia. O processo patenteado pela empresa, designado Plantrose®  desafia a economia de açúcar convencional através da conversão económica de biomassa celulósica - de resíduos de madeira a resíduos agrícolas - em açúcares úteis e económicos. Na atual configuração da empresa, esta apresenta uma capacidade de produção capaz de converter diariamente três toneladas secas de biomassa celulósica em açúcar Plantro® 

Fonte: Renmatix


  • O que é e para que serve a hidrólise de biomassa?
De acordo com a IUPAC, uma hidrólise é uma solvólise feita com água. Por sua vez, uma solvólise é uma reação que envolve um solvente e em que ocorre a rutura de uma ou mais ligações químicas. 

Do ponto de vista da biomassa, a hidrólise é uma reação que permite converter os biopolímeros de biomassa em açúcares fermentáveis.

Há várias formas de promover uma hidrólise, sendo que abaixo se listam quatro delas: hidrólise ácida, hidrólise enzimática, hidrólise organosolv, e hidrólise supercrítica. Estas pode apresentar prós e contras em quatro domínios distintos: flexibilidade a diferentes fontes de biomassa, despesas de operação, peso do investimento inicial, e complexidade do scale-up. 

Os prós e contras das várias formas de hidrólise da biomassa.


Com um processo de engenharia avançado para recuperação de calor e água, o processo Plantrose® minimiza a pegada ambiental que caracteriza outras tecnologias. Os concorrentes da empresa, dependentes da hidrólise ácida ou enzimática, enfrentam alguns desafios pronunciados: os ácidos requerem reatores de ligas altas e/ou sistemas de recuperação caros ou ainda, no caso de enzimas, pré-tratamentos extensivo e sistemas estéreis de grande volume. Outros processos adicionaram solventes para tentar melhorar o uso de enzimas ou ácidos, mas simplesmente trocaram um alto custo por outro. 

Em contraste, o processo Plantrose® é a única tecnologia que usa água supercrítica para fabricar açúcar celulósico de baixo custo com consideráveis vantagens de processo: não usa consumíveis significativos, permite reações rápidas em pequenos reatores e pode processar qualquer tipo de matérias-primas, reforçando sua posição como uma solução globalmente relevante e escalável.

Fonte: Renmatix

O processo Plantrose® da Renmatix.

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