Coluna 'Ver para Crer' (BEQ.2019.17): curando e rachando uma resina de poliéster a 90 ºC num tubo de ensaio



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Corroborando a máxima de que uma imagem vale mais que mil palavras, a coluna 'Ver para Crer' BEQ tem por objetivo divulgar conteúdos multimédia cativantes que possam elucidar dos diferentes fenómenos e contextos em que a engenharia química tenha uma palavra a dizer, seja de forma direta ou meramente simbólica.

Sobre o surgimento da indústria de cultivo de algas marinhas kelp no Alasca, e a perspetiva de sustentabilidade alimentar, atmosférica e oceânica



"Nos últimos anos, agricultores do Alasca começaram a cultivar algas marinhas kelp (sugar kelp e ribbon kelp) duas espécies que ocorrem naturalmente no ecossistema de comunidades remotas como Kodiak e Ketchikan. Com um mercado global de 6 mil milhões de dólares, os moradores têm esperança de que a produção destas algas marinhas seja uma maneira sustentável de cultivar e colher a cobiçada planta aquática.

(...) A imensa procura por algas marinhas, arrastadas em densos cachos verdes no Oceano Pacífico, impulsionou uma indústria que existia como mera fantasia há apenas cinco anos.

"Há muito interesse em sustentabilidade", diz Beau Perry, diretor da Blue Evolution, uma empresa que está no centro do boom de produção de algas no Alasca. "Como lidamos com a mudança climática e com o movimento em direção a dietas baseadas em vegetais, todas essas tendências fazem com que as algas marinhas sejam um novo tipo de ingrediente estrela."

A planta é de particular interesse, pois estudos demonstraram a eficácia das algas marinhas na alimentação animal como forma de reduzir as emissões de metano. Também está sendo testado para propriedades que podem imitar combustíveis fósseis ou plásticos

(...) Ao contrário de outras partes do mundo, onde algas selvagens são colhidas por navios, as plantas aquáticas do Alasca são cultivadas por agricultores em processos que duram meses a concluir, e que começam no auge do inverno.

Amostras de algas selvagens são enviadas para uma instalação administrada pela Blue Evolution. A empresa extrai esporos da alga marinha e planta mudas em pedaços de corda conhecidos como "tubos de sementes”. Esses tubos são entregues aos agricultores, que então enrolam em estruturas flutuantes no oceano. Durante um período de seis meses, os esporos amadurecem antes de serem colhidos no final da primavera. "

Fonte: The Guardian

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A perspetiva da empresa Blue Evolution:



"Usamos os nossos poderes mágicos de cultivo de algas para o bem, para reduzir a dependência mundial da produção de alimentos de água doce, mudar nosso sistema alimentar para renováveis ​​e desacidificar o oceano. Quando as algas marinhas são colhidas com responsabilidade, elas não são apenas deliciosas e incrivelmente nutritivas, mas também têm o poder de literalmente mudar nossa equação climática.

Estamos muito felizes em trazer-lhe estas maravilhosas algas, ligá-lo aos lugares de onde vieram e às pessoas que os colhem.

(...) Ao cultivar algas marinhas, nós fornecemos sustentavelmente a nutrição do oceano, reduzimos a dependência da água doce para a produção de alimentos e mitigamos a acidificação dos oceanos.

Junte-se a nós enquanto nutrimos as pessoas e o planeta."

Fonte: Blue Evolution

Sobre a otimização de condições de operação na destilação de bebidas espirituosas, e o desafio de minimizar o teor de metanol (tóxico) no produto final



"As bebidas alcoólicas destiladas são produzidas em todo o mundo a partir de matérias-primas locais. Por exemplo, o whisky (Reino Unido, Irlanda) é produzido a partir de cereais, a cachaça provém da cana (Brasil), a tequila provém do agave (México), e o conhaque (França, Espanha) e pisco (Peru, Chile) provêm de uvas [1]. Os destilados são caracterizados por um aroma delicado que se assemelha à fruta original. Além disso, os destilados de alta qualidade devem estar livres de sabores estranhos e compostos tóxicos. Nos processos de produção de destilados, a destilação desempenha um papel fundamental para garantir que os padrões de qualidade do produto sejam atendidos. Esta é uma operação já usada por culturas antigas para produzir medicamentos e perfumes, e hoje em dia é usada em quase todas as fábricas de processamento químico.

(…) Várias técnicas têm sido aplicadas para projetar estratégias operacionais ótimas para processos de destilação batch relevantes em engenharia química. A maioria desses métodos transforma o projeto num problema de controle ótimo, onde os objetivos habituais são minimizar o tempo, maximizar o destilado, maximizar a concentração de um componente-chave ou maximizar o lucro [14].



(…) O trabalho aqui apresentado concentrou-se no uso de ferramentas modernas de engenharia para produzir consistentemente bebidas alcoólicas com baixo teor de metanol em alambiques do tipo Charentais. (…) O metanol metaboliza-se lentamente no corpo humano, produzindo formaldeído e ácido fórmico, que são extremamente tóxicos em altas concentrações. A ingestão excessiva de metanol gera várias complicações de saúde, como fadiga, sede, dor de cabeça, dor de estômago, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e ao ruído, falta de concentração e atenção, tremores, transpiração excessiva e hipertensão [37]. Assim, em muitos países, o teor de metanol nas bebidas alcoólicas é regulado.

(…) O método de trabalho envolveu o desenvolvimento de um modelo dinâmico, a formulação de um problema de otimização dinâmica de objetivos múltiplos e a implementação de um sistema de controlo de processo automático. A otimização permitiu definir uma temperatura variável no condensador parcial, que foi rastreada por um sistema de controle automático que manipulou a transferência de calor na caldeira. O procedimento foi validado experimentalmente em triplicado usando uma mistura ternária. Com a operação ótima, os destilados  são produzidos com 12% menos metanol do que os destilados padrão , com uma redução moderada (2,4%) na recuperação do etanol."

Fonte: R. Luna, F. López, J.R. Pérez-Correa, Minimizing methanol content in experimental charentais alembic distillations, Journal of Industrial and Engineering Chemistry, 57 (2018) 160-170

Coluna 'Ver para Crer' (BEQ.2019.16): queimando metano aprisionado naturalmente debaixo de blocos de gelo

Burning methane trapped under the ice


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Corroborando a máxima de que uma imagem vale mais que mil palavras, a coluna 'Ver para Crer' BEQ tem por objetivo divulgar conteúdos multimédia cativantes que possam elucidar dos diferentes fenómenos e contextos em que a engenharia química tenha uma palavra a dizer, seja de forma direta ou meramente simbólica.

Revista semanal de imprensa (BEQ.2019.15): mais ciência mas menos indústria em Portugal, gás natural caro no Brasil, e impactos da legalização de maconha




Resultados do Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional relativos ao ano passado revelam que a despesa total em investigação e desenvolvimento atingiu 1,37% do PIB.


Em quase duas décadas, comércio suplantou a indústria em importância laboral. Construção e agricultura tiveram perdas significativas de mão-de-obra.


Escalada de preços afeta indústria e ainda não sofreu impacto da queda nas cotações internacionais do petróleo


Com países legalizando o uso recreativo ou medicinal, a maconha promete mudar as indústrias desde alimentos e saúde, até construção e mercado financeiro.

Sobre o engº químico Jim Ratcliffe, o homem mais rico do Reino Unido, fundador e dono da INEOS




"A maioria das pessoas nunca tinha ouvido falar de Jim Ratcliffe até que foi anunciado em 2018 como a pessoa mais rica do Reino Unido (segundo o Sunday Times Rich List). Este multimilionário, que se construiu a pulso, foi considerado o industrial mais bem-sucedido do pós-guerra, mas só se tornou empresário aos 40 anos e é notoriamente tímido em relação à publicidade.

Sir James Arthur Ratcliffe nasceu em 18 de outubro de 1952 e passou os primeiros 10 anos de sua vida em Failsworth, na Grande Manchester, onde morou ecom seus pais. O pai de Ratcliffe era um marceneiro que viria mais tarde a gerir uma fábrica de mobiliário de laboratório, enquanto sua mãe era funcionária de um escritório de contabilidade. O amor de Ratcliffe pela indústria deriva de seus tempos de criança, quando contava as chaminés da fábrica da janela de sua casa.

A família mudou-se para Yorkshire quando Ratcliffe tinha 10 anos, onde frequentou a Beverley Grammar School. Ele continuou seus estudos na Universidade de Birmingham, onde se graduou em Engenharia Química em 1973. Depois disso, trabalhou na BP, depois da gigante do petróleo Esso, antes de retornar à educação, obtendo um MBA na London Business School.

Ratcliffe trabalhou na Courtaulds, produtora de tecidos e produtos químicos com sede em Coventry, antes de ingressar no grupo de private equity Advent International em 1989. Com o apoio da Advent International, ele co-liderou a aquisição de uma unidade industrial química da BP para formar sua primeira empresa, a INSPEC.


Em 1998, Ratcliffe fundou a INEOS para adquirir a unidade industrial da INSPEC em Antuérpia. Para conseguir a verba necessária para comprar a fábrica, fez uma aposta de risco envolvendo tudo o que possuía, além de empréstimos e capital de risco.

A empresa é especializada na produção de produtos químicos e derivados que são usados ​​na fabricação de produtos. Embora a marca não seja muito conhecida para a maioria das pessoas, os seus produtos estão presentes no quotidiano das pessoas. Eles variam de produtos domésticos, a fármacos ou móveis. Inclui, por exemplo, a tampa de plástico na sua pasta de dentes, ou solventes utilizados na produção de antibióticos. 

A INEOS prosperou comprando operações de grandes empresas, como a alemã BASF. O negócio revolucionário, no entanto, foi a aquisição da empresa petroquímica BP, da Innovene, em 2005, por 6,38 mil milhões de dólares. Daí em diante, A INEOS quadruplicou as vendas para mais de 22,96  mil milhões de dólares, dobrou o número de funcionários para 15 mil. 

Atualmente, a INEOS possui cerca de 19 mil colaboradores e possui 171 unidades em 23 países. O Sunday Times avaliou a empresa em 2018 em 45 mil milhões de dólares. Falando sobre a estratégia e o sucesso da INEOS, Ratcliffe refere que “Nós olhámos para as empresas que estavam fora de moda ou caídas em desinteresse, instalações detidas por grandes corporações e marcadas por um desleixo nos custos fixos. Ao administrá-las um pouco melhor, reduzimos os custos e, após ao algum tempo, tornámo-las muito mais lucrativos.” "

Fonte: Love Money

Sobre o 'Finsulate', uma inovação à base de microfibras de nylon e filme autoadesivo, que resolve o problema do biofouling em embarcações marítimas




A natureza foi a inspiração para o invólucro anti-incrustração do inventor holandês Rik Breur. Tal como a superfície espinhosa de um ouriço-do-mar, esta alternativa ecológica à tinta tóxica previne o crescimento de algas e bivalves nos cascos dos barcos e melhora a eficiência do combustível em até 40%.

O biofouling é um desafio sério para o transporte marítimo. Permitir que a vida marinha se acumule nos cascos dos barcos cria atrito e pode aumentar o consumo de combustível entre 10% e 40%. Isso custa ao setor de transporte marítimo 20 mil milhões de euros por ano. Infelizmente, as tintas anti-inscrustação tradicionalmente usadas são tóxicas e muitas vezes contêm metais pesados, como o cobre, que podem ser prejudiciais à vida marinha.


Fornecido em rolos como carpetes, o material patenteado por Breur, que consiste em microfibras de nylon de um lado e um filme autoadesivo do outro, é livre de produtos químicos poluidores e oferece uma alternativa mais ecológica e eficiente. Comercializado sob a marca Finsulate, o produto é diretamente afixado no casco de embarcações. Na água, a oscilação constante dos espinhos de nylon cria uma superfície pouco atraente para as algas, bivalves e outras formas de vida marinha, mantendo assim a superfície livre de bioincrustações. Além disso, as microfibras do invólucro estão tão juntas que a vida marinha não pode crescer nos espaços entre elas. As microfibras também são rigorosamente testadas para garantir que elas não caiam do casco do barco como poluição microplástica. Como o filme é efetivo quando os navios estão em movimento e atracados, ele pode ser aplicado tanto a navios quanto a outras estruturas marítimas, tais como plataformas de petróleo ou turbinas eólicas offshore.

Fonte: European Patent Office


Sobre o TRASHPRESSO: uma fábrica de reciclagem móvel, automatizada e autossuficiente, que transforma resíduos plásticos em azulejos modulares



O TRASHPRESSO é uma fábrica de reciclagem móvel, automatizada e autossuficiente de energia, projetada para reciclar e converter resíduos plásticos em belos azulejos utilizáveis no setor da construção. A fábrica é capaz de reciclar vários itens de plástico, incluindo garrafas, caixas de biscoitos, garrafas de leite, pratos e copos de café. 

O lixo é convertido em azulejos com valor arquitetónico que podem ser usados como matéria-prima de construção. Os mosaicos produzidos são versáteis e resistentes, permitindo uma ampla variedade de aplicações: podem ser usados ​​como decoração interior ou exterior, e servir como pavimento ou isolamento térmico suplementar. 

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O processo do TRASHPRESSO

O TRASHPRESSO compacta o processo de reciclagem em três etapas simples: redução de tamanho, purificação, remodelação. Além disso, salvaguarda a descarga ambiental das operações do processo com a filtragem de ar e água. Atualmente, esta linha de processo de reciclagem transforma o lixo plástico num produto de carcaça robusto e de baixo custo. Atualmente existem duas unidades em atividade.

(...) O TRASHPRESSO pode processar até 50 kg de desperdício por hora.  Os resíduos são compactados em formato de ladrilho, e têm por isso um menor custo de transporte. Para além disso, podem ser produzidas através de ciclos de injeção ou extrusão.

Balanço material associado ao  processo TRASHPRESSO.


Esquema do processo/unidade TRASHPRESSO.


Explicação do processo/unidade TRASHPRESSO.


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MINIWIZ - A empresa por trás do TRASHPRESSO

A Miniwiz foi fundada em março de 2005 pelo arquiteto e engenheiro estrutural Arthur Huang e Jarvis Liu. Eles basearam a empresa na missão de lidar com a grande disparidade entre sustentabilidade, reciclagem e eco-consciência e a sombria realidade em torno de sua falta de aplicações financeiramente viáveis. Em 2007, a Miniwiz desenvolveu seu projeto inovador, o HYmini - um inovador gerador portátil de energia eólica, solar e manivela feita a partir de plástico reciclado para lixo eletrônico e papel reciclado pós-consumo. Este dispositivo, um produto de carga zero de pegada de carbono, foi o primeiro em centenas de projetos Miniwiz a seguir, que realmente encapsulou todos os requisitos de eficiência de desempenho com custo zero de carbono. Nos anos a seguir, expandimos nossas soluções de cliente oferecendo número de disciplinas, todas baseadas nesses princípios fundadores.

Em 2015, o Fórum Econômico Mundial reconheceu a Miniwiz como pioneira tecnológica na categoria “Energia / meio ambiente / infraestrutura”, destacando o impacto positivo que a atividade da empresa teve sobre o meio ambiente e o desenvolvimento econômico do mundo. Hoje, a Miniwiz concentra-se em transformar o lixo pós-consumo em materiais de alto desempenho, possibilitando o movimento para uma economia verdadeiramente circular, recebendo com frequência extensa atenção dos média e muitos prémios de inovação no setor de reciclagem e materiais de construção.

Coluna 'Ver para Crer' (BEQ.2019.15): minas de carvão que originam neve negra e obrigam cidadãos russos a ser realojados


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Corroborando a máxima de que uma imagem vale mais que mil palavras, a coluna 'Ver para Crer' BEQ tem por objetivo divulgar conteúdos multimédia cativantes que possam elucidar dos diferentes fenómenos e contextos em que a engenharia química tenha uma palavra a dizer, seja de forma direta ou meramente simbólica.

Revista semanal de imprensa (BEQ.2019.14): bombagem de areia, cimento em crise, curtumes em guerra, Bayer quer alternativa ao Roundup





Governo admite que reposição de areia na zona costeira da Figueira da Foz a sul do rio Mondego pode vir a ser feita através de um sistema de bombagem permanente.




Consumo de cimento no mercado interno tem estado a recuperar, mas ainda está 70% abaixo do máximo histórico. As exportações têm sido a solução, mas a subida de importações pode vir a fechar fábricas.





Resgate da concessão de uma ETAR pode colocar em risco fileira que gera mais de 300 milhões de euros, exporta 65% e emprega três mil pessoas.


À medida que os processos judiciais relativos ao herbicida Roundup se vão acumulando - e chegam às dezenas de milhares - a Bayer investe em alternativas a este químico.

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