Revista semanal de imprensa (BEQ.2020.16): João Mano conquista 2,5 M€, Total na EDP em Espanha, Total no gás em Moçambique, e Sumitomo Chemical em Maracanaú



A regeneração de tecidos ósseos conquistou 2,5 milhões de euros numa bolsa atribuída pelo Conselho Europeu de Investigação. João Mano, 52 anos, especialista em biomateriais, licenciado em Engenharia Química no Instituto Superior Técnico, doutorado em Química-Física na área de polímeros, professor catedrático no departamento de Química da Universidade de Aveiro, investigador do CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro, está aos comandos do projeto.


A empresa explica em comunicado que a transação inclui cerca de 2,1 milhões de contratos de clientes da EDP Comercializadora e cerca de 400.000 da CHC, uma joint-venture entre a EDP (Energia de Portugal) e a distribuidora de eletricidade CIDE. (...) A transação vai permitir à Total tornar-se na quarta maior empresa do mercado espanhol no subsetor do gás, com uma quota de 12%. bilhão.


A japonesa Sumitomo Chemical iniciou o processo de consolidação após adquirir as operações da companhia australiana Nufarm na América do Sul. A empresa asiática já iniciou o processo de transição da marca. A nova companhia será Sumitomo Chemical América Latina. A compra inclui operações no município cearense de Maracanaú, além de países como Argentina, Colômbia e Chile. O valor da transação gira em US$ 1,18 bilhão.


A empresa francesa Total garantiu um financiamento de 14,4 mil milhões de dólares americanos para o seu projeto de gás natural liquefeito em Cabo Delgado, Moçambique, escreve a Reuters. (...) Prevê-se que produção de gás natural liquefeito inicie em 2024.

Sobre a parboilização do arroz, o uso de vapor para gelatinizar amido, e as vantagens que advêm deste tratamento

Arroz parboilizado, fábrica de parboilização de arroz 
e esquema de processo de parboilização. Fonte.


A parboilização é um tratamento hidrotérmico de pré-moagem que visa gelatinizar o componente de amido do arroz, o que acontece em três etapas, a saber: imersão, vaporização e secagem. O processo leva a alterações físicas, químicas e organolépticas no grão, o que afeta muito as qualidades de moagem, armazenamento, cozimento e alimentação [1-7] Cerca de 130 milhões de toneladas de arroz com casca são parboilizados anualmente em todo o mundo, com cerca de 3-4 milhões de toneladas de arroz parboilizado de alto valor acrescentado sendo movimentadas no comércio mundial [8]. A parboilização originou-se e é amplamente praticada na Índia [9-13] e em muitos países asiáticos, incluindo Bangladesh [14] e Sri Lanka [15], além de alguns países subsaarianos de  áfrica, incluindo Gana [16], [17], Benin [18], [19], Senegal, Nigéria e Camarões [20].
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Fonte: E.M. Kwofie, M. Ngadi, A review of rice parboiling systems, energy supply, and consumption, Renewable and Sustainable Energy Reviews, 72 (2017) 465-472.


Da origem às vantagens posteriormente descobertas

Embora o processo, (...) tenha sido provavelmente inventado para facilitar a remoção da casca, as vantagens económicas, nutricionais e outras foram posteriormente reconhecidas. Com o advento dos métodos de processamento mecânico, o processo de parboilização não apenas sobreviveu ao longo dos anos, como também se tornou amplamente praticado em muitos países. Nos Estados Unidos, o processo vem ganhando aceitação rapidamente, não apenas para fins de exportação, mas também para uso doméstico generalizado. Do arroz exportado pelos EUA, quase 50% está na forma parboilizada.
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Fonte: W.E. Marshall, J.I. Wadsworth, Rice Science and Technology,CRC Press, 1993



Gelatinização do amido. Fonte

O que acontece exatamente durante a parboilização?

Os grãos de arroz são compostos principalmente de grânulos de amido poligonal no endosperma. O endosperma possui espaços intergranulares que são preenchidos com ar e umidade. Durante a maturidade do grão, são desenvolvidas fissuras e rachaduras, que podem causar quebra do grão durante a moagem subsequente. Para reduzir a quebra, os grãos são parboilizados durante o qual o amido é gelatinizado, preenchendo o vazio e cimentando as fissuras e rachaduras [22],[25]. 

Durante a imersão, no primeiro passo a água penetra nos grânulos de amido e forma hidratos através da ligações de hidrogênio, o que provoca inchaço dos mesmos. Esse inchaço é menos pronunciado quando a imersão é feita em água fria devido à capacidade limitada de absorção de água dos grânulos de amido. No entanto, na imersão a quente, a energia térmica interrompe as ligações de hidrogênio e enfraquece a estrutura dos grânulos, o que fornece mais superfícies para absorção de água e permite maior hidratação e maior inchaço à medida que a temperatura aumenta. O processo de gelatinização é concluído com o calor do vapor fornecido durante a fase de vaporização. Geralmente, a imersão aumenta a umidade do arroz em até 45-50% (wb), daí a necessidade de secagem antes da moagem [25].
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Fonte: E.M. Kwofie, M. Ngadi, A review of rice parboiling systems, energy supply, and consumption, Renewable and Sustainable Energy Reviews, 72 (2017) 465-472.

Sobre o filme de 'A Febre Do Ouro Negro' (The Iron Orchard), a exploração do petróleo no Texas em 1930, e os desafios de prosperar no setor


A Febre Do Ouro Negro (The Iron Orchard) conta a história de Jim McNeely (Lane Garrison), um jovem que foi para os vibrantes e brutais campos petrolíferos do oeste do Texas em 1939. Num estado repleto de petróleo e cheio de ambição, McNeely instala-se numa comunidade de cidade pequena. superando lentamente o trauma da Grande Depressão. O formidável caminho à sua frente está cheio de obstáculos - chefes dominadores que tentam rebaixá-lo, poderosos homens do petróleo relutantes em investir num rosto novo e mulheres que vêem a salvação no seu charme - mas ele encontra um vislumbre de esperança nos seus dois amores: a nova esposa Lee Montgomery (Ali Cobrin) e a perfuração de petróleo. Com tudo encaixando para subir ao topo da cadeia petrolífera, McNeely tropeça no seu sucesso e, por sua vez, põe em risco o seu desejo desesperado de conquistar esse admirável mundo novo de influência e riqueza. Como se definirá seu legado na construção da rica tradição petrolífera do oeste do Texas?


Opinião do BEQ:

A Febre Do Ouro Negro é um filme discreto mas competente e oportuno para um público afim com o tema do petróleo e sua exploração. Ao retratar a corrida aos poços de petróleo no estado norte-americano do Texas da década de 30, o filme estabelece uma ponte com a corrida aos "poços" de xisto vivida recentemente nos últimos anos, a qual relançou os EUA como grande produtor mundial de gás natural.

De um ponto de vista mais técnico, o filme expõe a artesanalidade da exploração de petróleo na década de 30, com tecnologia sobretudo mecânica e parcos conhecimento envolvidos, assentando quiçá excessivamente numa base de sorte ou azar. Ao retratar um empreendedor que subiu a pulso, o filme mostra também as dificuldades que novatos - empreededores desconhecidos - podem ter ao entrar em setores tão poderosos como o do petróleo. Finalmente, e não menos importante, o filme tem também o condão de evidenciar os perigos inerentes à exploração de petróleo, não penas os de explosão e inflamabilidade, mas também os riscos de intoxicação dos operadores devido à inalação de gás libertado pela perfuração.


Trailer:


Coluna 'Ver para Crer' (BEQ.2020.15): a inflamabilidade dos compostos químicos contidos na casca de laranja


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Corroborando a máxima de que uma imagem vale mais que mil palavras, a coluna 'Ver para Crer' BEQ tem por objetivo divulgar conteúdos multimédia cativantes que possam elucidar dos diferentes fenómenos e contextos em que a engenharia química tenha uma palavra a dizer, seja de forma direta ou meramente simbólica.


Revista semanal de imprensa (BEQ.2020.15): ociosidade na indústria, conflito no gás natural ibérico, gasoduto russo quase pronto, e a lógica da I&D farmacêutica




A crise econômica derivada do coronavírus atinge 77% da industria química no Brasil com redução nas vendas internas e exportações. A diretora de Economia e Estatística da ABIQUIM, Fátima Giovanna Coviello Ferreira, lembra que o setor é muito heterogênico. (...) A ABIQUIM aponta que apenas 36% das empresas mantiveram capacidade instalada em abril em 70%. Enquanto isso, 50% elevaram a ociosidade para 40 a 50%. Apenas 7% operaram com plena carga.


Espanha pondera avançar com um desconto de 13,9% nas tarifas aplicáveis aos terminais espanhóis de gás natural liquefeito. A ERSE contesta, referindo que a medida poderá afetar o terminal de Sines. (...) Para o regulador português, a medida “terá fortes efeitos prejudiciais para o mercado português e para o desenvolvimento do Mibgas [mercado ibérico de gás natural” e irá “beneficiar as infraestruturas espanholas”, prejudicando o terminal de Sines.


A construção do gasoduto mais polémico do mundo está prestes a entrar na reta final de uma disputa que colocou os Estados Unidos contra a Rússia e contra alguns dos seus aliados transatlânticos mais próximos, segundo imagens de satélite. (...) A construção do gasoduto Nord Stream 2, destinado a aumentar o fluxo de gás russo para a maior economia da Europa, foi paralisada há cinco meses depois do presidente dos EUA, Donald Trump, ter imposto sanções que obrigaram trabalhadores a suspender as obras. Agora, (...)o navio russo de colocação de tubos que é o principal candidato para finalizar o projeto, ancorou no porto alemão, onde as restantes secções do gasoduto aguardam a instalação. 


Pelas regras da agência de vigilância sanitária dos EUA (a Food and Drug Administration – FDA), um tratamento contra o câncer em estágios iniciais precisa cumprir testes clínicos que duram, no mínimo, 18 anos, (...) . Acontece que o registro da patente de 20 anos do novo medicamento deve ser feito logo antes de se iniciarem os testes clínicos (...) Portanto (...) as empresas teriam apenas dois anos para usufruir seu poder de monopólio de forma a remunerar todo o esforço de pesquisa e desenvolvimento. (...) C omo a duração mínima é de apenas alguns anos para estágios mais avançados da doença, os laboratórios preferem se concentrar nas descobertas mais lucrativas, diminuindo a oferta de inovações para estágios iniciais da doença.

Sobre a cera Montan: origem, aplicações, método de produção e características


A cera Montan, também conhecida como cera de linhito, é derivada da extração de linhito com solvente. A primeira produção de cera Montan em escala comercial ocorreu na Alemanha durante a segunda metade do século XIX, e a Alemanha continua a liderar o mundo na produção deste tipo de cera.

A cera Montan bruta é encontrada na Alemanha, Europa Oriental e áreas dos Estados Unidos em certos tipos de depósitos de linhito ou carvão castanho que foram formados ao longo de milhões de anos na transformação de material vegetal fóssil. A cera que protegia as folhas das plantas não se decompôs e enriqueceu o carvão. Após a mineração, a cera montan é extraída do carvão por meio de solvente que é destilado da solução de cera e removido com vapor sobreaquecido.

Aplicações da cera Montan.

O maior fabricante de cera montan do mundo é Romonta GmbH, Arnsdorf, Alemanha. Fornece mais de 80% da cera Montan aos Estados Unidos (400 toneladas em 2001). O maior uso tradicional da cera montana é na formulação de tintas para papel químico (papel carbono). A diminuição do uso de papel químico resultou na refinação da cera Montan para uso na formulação de produtos de polimento, borracha e lubrificantes plásticos. Seus usos também se estendem ao revestimento de frutas, impermeabilização, como aditivo de asfalto e acabamento de couro. Emulsões de cera de Montan também são usadas em revestimentos anti-graffiti temporários (26). 

Como a cera montana reduz a condutividade hidráulica em até cinco ordens de magnitude e possui uma grande resistência química, é também usada para o encapsulamento subterrâneo de resíduos perigosos. A cera de Montan é dura e quebradiça, com propriedades semelhantes às da cera de carnaúba, produto que pode substituir.
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Fonte: Kirk-Othmer Food and Feed Technology, John Wiley & Sons, 2007


A composição e o modo de obtenção da cera Montan:

A cera de Montan é um produto que pode exibir um espectro de cores desde o cor castanha escuro até  ao amarelo e bege, e compreende uma mistura complexa de ácidos carboxílicos de cadeia longa e seus ésteres, álcoois de cadeia longa, resinas, asfaltenos e resíduos escuros. Solventes como benzeno, gasolina e tolueno podem ser aplicados para a extração de cera de Montan a partir de carvão castanho rico em betume.

Atualmente, o tolueno é usado como solvente normal para o processo de extração da cera de Montan. As propriedades da cera de Montan dependem principalmente das matérias-primas (tipos de carvão castanho especiais dos diferentes depósitos minerais naturais), do solvente e das condições de extração.
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Fonte (i): Yan Wang, Volker Herdegen & Jens-Uwe Repke (2015) A Model Approach for the Montan Wax Extraction: Model Development and Experimental Analysis, Separation Science and Technology, 50:15, 2311-2326

Fonte (ii): Yuan, C., Qin, Y., Zhang, M. et al. A New Method of Testing and Evaluating the Quality of Refined Montan Wax: Digital Color and GC Fingerprint. Chromatographia 78, 1283–1292 (2015).

Sobre as fragilidades da Exxon Mobil na última década, e o agravamento recente da situação com a pandemia e a disputa internacional pelo poder no setor do petróleo




Fundada em 1882, a Exxon Mobil Corp é uma multinacional norte-americana do setor do petróleo, gás e carvão, sediada no estado do Texas. A empresa possui negócios de petróleo e petroquímica a nível mundial. As operações da Exxon Mobil incluem exploração e produção de petróleo e gás, geração de energia elétrica e operações de carvão e minerais. A Exxon Mobil também fabrica e comercializa combustíveis, lubrificantes e produtos químicos.

Em Janeiro de 2009, a Exxon registoou um lucro de US $ 45,2 mil milhões (relativo ao ano de 2008), na época o maior lucro anual já registado por uma empresa cotada em bolsa nos EUA. A receita foi de US $ 425 mil milhões, (...) e a Exxon bombeava à data mais petróleo do que qualquer membro da OPEP, exceto Arábia Saudita e Irão.

A realidade, porém, tem vindo a alterar-se nos últimos tempos. Volvidos 11 onze anos sobre esse registo, (...)  a Exxon propôs-se a gastar mais de US $ 30 mil milhões em exploração e outros projetos em 2020, mais do que qualquer outra empresa de petróleo ocidental. Segundo Darren Woods, chief executive officer of ExxonMobil Corp, "Apesar de preferirmos preços e margens mais altos não queremos perder a oportunidade que esse ambiente de baixo preço oferece". Porém (...) talvez nenhuma empresa tenha sido humilhada tão profundamente por eventos recentes como a Exxon, o maior produtor de petróleo do Ocidente em valor de mercado e um modelo da indústria que define o padrão não apenas para si, mas também para seus concorrentes. E a pandemia não é a principal culpada; a culpada é sobretudo a própria empresa.



Operações da Exxon Mobil em todo mundo no ano de 2017.


(...) O coronavírus desnudou os erros de cálculo de uma década. A Exxon falhou a entrada nos primeiros dias selvagens e lucrativos do óleo de xisto. Uma aventura nas areias betuminosas do Canadá engoliu milhares de milhões de dólares com pouco a mostrar. As tensões políticas condenaram um megaacordo na Rússia. A Exxon acabou a gastar tanto em projetos que precisou contrair empréstimos para cobrir pagamentos de dividendos. Num período de 10 anos, as ações da Exxon caíram 10,8% com base no retorno total, o que inclui dividendos. Os principais rivais da empresa registaram retornos positivos nesse período, exceto a BP Plc, que teve o derramamento da Deepwater Horizon no Golfo do México em 2010. O maior índice S&P 500 retornou quase 200%.

(...) O sucesso no negócio de petróleo tem muito a ver com o quanto produz, quão baixos os seus custos conseguem ir e quão bem se captura recursos para o futuro. A Exxon produz cerca de 4 milhões de barris por dia - essencialmente o mesmo que há 10 anos, apesar dos repetidos votos de aumentar o número. Enquanto isso, a dívida da empresa aumentou efetivamente de zero para US $ 50 mil milhões, e o seu lucro no ano passado foi um pouco mais da metade do que era uma década atrás.

(...) Por quatro décadas, a Exxon seguiu em frente, olhando para o horizonte distante, mantendo o preço das ações estável, os retornos financeiros saudáveis ​​e os dividendos aumentando em guerras e recessões, administrações democratas e republicanas. Agora, o mundo verá como a Exxon pode sobreviver a uma pandemia - e se ela tem o que é necessário para prosperar depois disso.
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Fonte: Bloomberg

Produto BEQ do mês (05/2020): Air Lock, e a selagem microtérmica de embalagens de plástico contendo alimentos em qualquer local




O Air Lock é um dispositivo portátil e recarregável que permite selar embalagens de plástico em situações em que é feito um consumo ou utilização incompleta do seu conteúdo.

A nova tecnologia microtérmica facilita a vedação dos sacos de plástico. Mantenha os alimentos frescos por mais tempo com este inovador dispositivo de vedação. O Air Lock cria uma vedação hermética que impede que os alimentos fiquem degradados sem recorrer a clipes, abraçadeiras ou elásticos. A existência de um travão de segurança permite que o elemento de aquecimento fique escondido. O melhor de tudo é que o Air Lock é recarregável, portanto não há necessidade pilhas AAA.

Perfeito para batatas fritas, bolachas, sacos de cereais internos, produtos de panificação e qualquer outra embalagem que queira manter fresca.



Características:

  • Crie uma selagem hermético em sacos plásticos;
  • Duas posições: modo com travão de segurança ou modo de selagem;
  • Recarregável através de um cabo micro USB fornecido;
  • Uma recarga de 2 horas permite mais de 1000 selagens;
  • Compatáivel com qualquer tipo de saco plástico.

Coluna 'Ver para Crer' (BEQ.2020.14): previsão de queda de 6% da procura mundial por energia em 2020, e o mesmo indicador ao longo do séc. XX e XXI


Global energy demand is set to fall 6% in 2020, seven times greater than the drop in the wake of the financial crisis. [OC] from r/dataisbeautiful

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Corroborando a máxima de que uma imagem vale mais que mil palavras, a coluna 'Ver para Crer' BEQ tem por objetivo divulgar conteúdos multimédia cativantes que possam elucidar dos diferentes fenómenos e contextos em que a engenharia química tenha uma palavra a dizer, seja de forma direta ou meramente simbólica.






Revista semanal de imprensa (BEQ.2020.14): hidrogénio luso, petróleo angolano, refinação em pausa, e os salvadores da pandemia


O Governo vai desenvolver as comunidades energéticas, tem pronto o modelo do próximo leilão de projetos fotovoltáicos e já pensa no potencial da produção de hidrogéneo a partir da água do mar. (...)  "O projeto do hidrogénio é um projeto nacional que ainda antes de se chamar de hidrogénio, se chama de gases renováveis, sendo que o mais importante é certamente o do hidrogénio. Queremos lançar antes do Verão um concurso, com verbas comunitárias, de aproximadamente 40 milhões de euros, para a produção de gases renováveis, onde vão aparecer projetos de produção de hidrogénio – não tenho a mais pequena dúvida – mas onde também vão certamente aparecer projetos de produção de biometano, nomeadamente através do aproveitamento do biometano que está nos resíduos."


Portugal importou menos petróleo no ano passado, recebendo menos crude da Rússia, Azerbaijão, Cazaquistão e Guiné Equatorial. Angola passou a ser o maior fornecedor nacional (...) Angola passou a ser o maior fornecedor de petróleo de Portugal. Em 2019 as importações portuguesas de petróleo angolano aumentaram 23%, para 2,47 milhões de toneladas, ultrapassando os fornecimentos petrolíferos oriundos da Rússia, que caíram mais de 50%, para 1,2 milhões de toneladas.


Decisão está relacionada com a impossibilidade de escoamento "dos produtos produzidos". (...) Na semana passada, a Galp justificou a decisão com a "evolução da conjuntura nacional e internacional decorrente da prorrogação do estado de emergência", decretado por causa da pandemia da doença provocada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), que impôs "medidas extremas de contenção, quarentenas cada vez mais restritivas e a paralisação da maioria das atividades económicas".


A presente pandemia tem vindo a provar, para além de outras descobertas, que a salvação da humanidade repousa nos cientistas, nos engenheiros e na indústria. (...)Nos engenheiros, agrónomos, zootécnicos, mecânicos, químicos, eletrotécnicos, informáticos, que asseguram o funcionamento das unidades agrícolas e pecuárias, a logística de transporte e de armazenamento de produtos essenciais e a manutenção e operação das fábricas, hospitais, redes elétricas e informáticas.