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Sobre a inovação e empreendedorismo em contexto de engenharia química - Editorial (Março 2014)




No discurso dos mais diversos agentes políticos, empresariais, económicos e universitários, é cada vez mais consensual que a chave para o sucesso económico reside na inovação e no empreendedorismo.

No contexto da engenharia química, várias instituições do ensino superior incluem há já alguns anos disciplinas de inovação e empreendedorismo nos seus planos curriculares, com essas designações ou enquadradas em temas como a engenharia do produto. Tais conteúdos surgem em etapas mais terminais do processo de formação, quando na cabeça do estudante já existe uma noção mais consolidada sobre os assuntos de que trata a engenharia química, isto é, o seu âmbito de intervenção técnica.

É neste ponto que parece haver muita oportunidade para se ir mais longe. Senão vejamos: a minha experiência pessoal de aluno e observador diz-me que quando se desafia um aluno de engenharia química a ponderar e propor uma inovação da sua autoria, uma ideia de negócio no qual possa fazer jus a todo o empreendedorismo que lhe vai na alma, é extremamente provável que este conceba algo na forma de produto ou serviço destinado à sociedade em geral (ou parte dela), algo que seja tangível pelo cidadão comum.

Embora respeitável e interessante, a inovação e empreendedorismo em contexto de engenharia química é muito mais do que isso. Uma fatia muito significativa da actividade em engenharia química não compreende venda ao consumidor final, nem é sequer visível para este. Esse lado invisível desenvolve soluções e presta serviços para o próprio interior da indústria, actuando sobre as interdependências industriais dos mais variáveis processos, ou das especificidades de cada um. Naturalmente que esta realidade do sector também carece de inovação e empreendedorismo, e que qualquer profissional de engenharia química a deve ter no seu horizonte quando pensa em acrescentar valor por via da inovação.

Não é que esteja errado falar-se de engenharia do produto vocacionada para o grande público. É simplesmente uma opção, que tem na sua base de motivação o facto de ser muito mais fácil identificar necessidades e oportunidades onde elas são mais visíveis, isto é, ao nível da vida do cidadão comum. A invisibilidade do outro lado da engenharia química é como que uma barreira que o próprio estudante e profissional de engenharia química precisa de ir transpondo. Este blogue procura também prestar esse contributo, dando a conhecer em linguagem acessível e simples os confins da engenharia química.

Recordo-me, por exemplo, de aulas de engenharia do produto se falar de Richard Branson ou de Steve Jobs, como bastiões da inovação e empreendedorismo de craveira mundial. Nada contra, mas hoje pergunto-me se ao invés deles não deveria ter sido mais importante ouvir falar de pessoas e invenções bem mais próximas do que se pede e espera de um engenheiro químico em termos de produtos. Exemplos? Bill Gore e o material Gore-Tex, as inovações da empresa 3M, projectos como Biocuture, Ecoticket, Deltsand, o Le Whif e o Le Whaf.

Em suma, creio que é preciso perceber expandir os horizontes para que a inovação e empreendedorismo não caiam na generalidade e sobreposição daquilo que é a inovação e empreendedorismo em outras áreas profissionais. Se temos um matriz de actuação que nos caracteriza tecnicamente, julgo que devemos cultivá-la, exortá-la e fazê-la reflectir naquilo a que nos propomos conceber, quer seja para o consumidor final, ou quer não seja de todo para o grande público.

Editor do BEQ.

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