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Sobre a opinião de Dr. HALDOR TOPSØE acerca da situação da engenharia química



Após leitura da entrevista de Dr. HALDOR TOPSØE à revista "The Annual Review of Chemical and Biomolecular Engineering", em Dezembro de 2011, publica-se uma síntese do que julgo ser o essencial da entrevista original em inglês.

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Quando questionado relativamente às taxas de sucesso que obteve enquanto líder de uma empresa de base industrial (na área da catálise) que sempre primou pela investigação fundamental como pilar do sucesso industrial (dedica 20% do orçamento a I&D), Dr. TOPSØE surpreendeu ao avançar com 30% como a taxa de sucesso dos variadíssimos projetos a que esteve ligado. Complementou a resposta com a uma ideia interessante:  estar demasiado à frente do tempo que se vive pode significar derrota no presente (mesmo que vitória a prazo). Esta derrota no presente implica perda de dinheiro, o qual pode eventualmente ser recuperado a prazo, mas não necessariamente. O exemplo pessoal e concreto que dá a respeito de estar demasiado à frente do tempo tem que ver com as preocupações ambientais, tema que mereceu a atenção da sua empresa há 1 geração atrás.

Levado a falar de aspetos gerais sobre a engenharia química, a indústria e as forças que regem o progresso e o estado da sociedade, Dr. TOPSØE é peremptório quanto à excessiva ingerência da política no universo da indústria, a qual se vê progressivamente condicionada no necessário planeamento e ação devido à volatilidade das medidas e metas a atingir, definidas pelos políticos. Esta problemática é muito sentida nas questões do CO2, as quais comunicam com o que considera ser o grande desafio ao qual a engenharia química precisa responder: a energia. Desbloquear os entraves e tensões provocados pelo encarecimento da energia é, para Dr. TOPSØE, uma missão que os engenheiros químicos estão naturalmente vocacionados para cumprir, seja pela via da melhoria de eficiência na utilização de recursos, seja pelo desenvolvimento de alternativas tecnológicas.


Quando solicitado relativamente ao tema de educação na área da engenharia química, Dr. TOPSØE refere três aspectos/desafios basilares  para lá da formação técnica na área:

1. Perceber desde cedo o que é trabalhar em engenharia química no mundo, isto é, antecipar o contexto, desafios e oportunidades desta via profissional.

2. Perceber a geografia da indústria para a qual a engenharia química trabalha, compreendendo isto situar os recursos no mundo (quem tem matéria-prima, quem precisa dela, quem produz o quê) e reconhecer onde os mercados e as dinâmicas/interligações a que estão sujeitos.

3. Assimilar que trilho pelo qual a indústria se pauta está algures entre a ciência (isto é: lado não comercial) e o comércio. Há que perceber este habitat.

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Em jeito de conclusão, refira-se que uma parte significativa do que de mais relevante a entrevista de Dr. HALDOR TOPSØE expôe, passa por aspetos que extravasam a formação técnica universitária, e que se jogam mais ao nível da criação de perspetiva sobre a engenharia química do presente. Em suma, passa pelo desenvolvimento de uma cultura sobre o setor engenharia química. É por este objetivo que o Blogue Engenharia Química (e o seu editor) se batem desde 2010.

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